Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Esse texto foi daqueles que eu escrevi para a Raquel. Não gostei muito, não! Mesmo depois de algumas poucas alterações que fiz para postar aqui.

Sempre esperando críticas e sugestões!

Das minhas estranhezas e sentidos



Parece que me tornei um estranho. Um estranho a mim mesmo...

Depois de certo tempo de caminhada a gente se perde, e se perde feio: não sabe mais nem porque está aqui ou ali, nem desde quando, nem quem é, nada. Não sabe mais de nada!

Se passamos muito tempo soltos no espaço, ou até perdidos pelas curvas do universo, esquecemos a cor do mar, o cheiro da praia, o clima da serra. Dependendo do estágio de desesperança, podemos esquecer quase tudo. Podemos tornar nossas lembranças mais preciosas em meros vultos torpes do passado.

Mas existem coisas que não perdemos, independentemente da situação. E essas coisas, em geral, não são escolhidas por nós mesmos, aliás, não são sequer escolhidas. Elas estão fincadas na alma, na essência. Infelizmente essas coisas tão pessoais, tão intrínsecas de cada ser, que não podem ser descobertas por segundos ou terceiros: elas tem de ser descobertas em primeira pessoa, do singular, talvez; e se demora muito mais que segundos até chegar-se à descoberta tão fabulosa.

Uma dessas coisas incrustadas na minha essência, é um certo amor que tenho, completamente devoto.


Percorri um caminho
em que, a cada passo dado,
o chão atrás ia caindo.

Atravessei o universo assim:
sem poder dar passos para o passado,
sem saber o que deixei atrás de mim.

Não podia cambalear, pois estreito era o caminho
e largo era o vão escuro e torpe que acompanhavam a estrada.
Não podia ouvir canto de passarinho;
não podia desistir da empreitada;
não podia nada!

Quarenta e cinco encruzilhadas:
cada escolha feita, algo de que se abre mão;
cada amor que não fiz existir, mais só o coração.

E no final dessa história desventurada:
descubro que só existo para te fazer sentir amor;
senão, o sentido das coisas é dor!

Dor.
Nada a menos.
Nada há mais.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:43 AM.



Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Ainda na série "Repostagens", venho com um texto bem ao meu estilo antigo, com algumas correções...

Série: Repostagens




Este texto foi publicado a primeira vez numa

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Leitura ocular




Quadros rasgados, jarros quebrados, pratos no ar. Socos na parede, chutes nas portas, arremesso de madeiras ornamentadas. Sofás de cabeça para baixo, camas reviradas, televisão suspensa nas mãos. Um estrondo de destruição. Dor.

Num canto de uma sala, algo ainda inteiro. Inteiro, em pé, firme. Dentro dele, na figura mais bela, está o âmago da dor: ela.

E, num ímpeto de fúria, ele agarra bruscamente o objeto. Estilhaçar no bruto concreto. Dor. Do porta-retrato caiu o vivo papel a olhá-lo. A saliva sufocava-lhe o peito. Dor. Dor. Dor... Um caroço na garganta. Um berro.

Liberdade.

E nada mais foi visto naqueles brilhantes olhos castanhos.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:30 PM.



Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Como nem sempre podemos produzir na medida em que queremos, resolvi, seguindo o conselho do Carlim, fazer uma série chamada "Repostagens", posto que eu sou um dos que tem o blog mais antigo do turma dos Blogs de Quinta.

Leiam, critiquem, comparem com o meu estilo atual e, se possível, digam-me se mudei ou não.

Série: Repostagens



Este texto foi publicado a primeira vez numa

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Relógio tradicional




Tic-tac. Um sutil sentimento invadiu seu coração, agora mais calmo. Sentiu a vida mais leve, mais amena, desta vez, pura e simples. E, como nunca tivera feito antes, parou para pensar...

Lembrou-se então da bomba-relógio que todos carregam fincada dentro do peito. Respirou fundo. Era preciso força e coragem para encarar a dura realidade na qual se encontrava. Percebeu que, diferente daquilo que costumeiramente sentia, arrependeu-se de muitas coisas. Coisas as quais não fez.

Aconteceu com seu pai, com seu avô e, agora, com ele. Naquele exato instante lembrava da frase do pai: " Não tenha pressa meu filho, pois ela te rouba o tempo". Somente ali, sentado naquela poltrona, ele veio entender aquelas palavras.

Tinha 40 anos. Um filho e uma filha. Era divorciado. Médico especializado em cardiologia. Enxergou que nada viveu enquanto lutava para ser alguém.

O relógio da vida bateu.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:58 PM.



Domingo, Outubro 25, 2009

Pisos falsos



quando
cada passo
dado
vira obstáculo,

o empecilho é o pisar,
o caminhar,
em falso.

ou pior:
o amar.

entre falsos.

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.



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Desculpem o tempo que passei sem postar. Mas parece que andei caminhando por estradas tortuosas e errantes...


Atualizado por Pedro Gurgel, às 3:04 AM.



Segunda-feira, Setembro 28, 2009

POST (REPOST) SUPER EXTRAORDINÁRIO EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DO CARLINHOS!



Tudo bem que ele não é mais o Rei da Cocada, e tal... mas o texto ainda vale! PARABÉNS CARLIM!

O Rei Preto das cocadas e suas Quengas




Não era uma semana incomum. De fato, era uma terça-feira padrão: acordar cedo (pois dormir é perda de tempo), comer, resolver algumas pendências dos estudos e correr para suas Quengas. Isso mesmo Quengas com “Q” maiúsculo. Afinal, ele, o Rei Preto das cocadas, jamais deixaria alguém tratar suas preciosidades como coisas feitas para se comer de um jeito qualquer. Principalmente dentro de sua casa.

Suas Quengas guardavam a cocada mais doce, mais saborosa. Eram, definitivamente, perfeitas, desejadas, adoradas. Cada remessa vinha como se viesse ao mundo um conjunto de abelhas carregando o que há de mais melífluo em toda natureza. Não era à toa que eram tão almejadas as Quengas e suas cocadas, pois, não obstante, foram tempos de dedicação e de aperfeiçoamento para se tornar o Rei, o tão aclamado, amado e adorado, Senhor Rei (preto) das cocadas.

Aquela não era uma semana incomum. Não fosse a idade do Rei que bateu-lhe às costas dizendo: “Está na hora de buscar algo mais promissor, amigo... Chega de bancar o Rei!”, obviamente ele refutava, “Como assim?! Eu não banco o Rei. Eu sou o Rei! O que haveria eu de fazer além de cuidar das minha Quengas e suas cocadas?”, o pensamento era pertinente (e inteligente), “Política, meu caro! Política! Afinal, você a adora, e muitos de lá começaram de ramos parecidos com os seus, ramos que foram passados de mãe para filho...”. Depois desse pensamento, nosso Rei parou de discutir consigo, e decidiu ser Rei e começar a estudar para entrar na tão aclamada política, para fazer algo de, talvez, mais útil para a sociedade.

É. Era uma semana atípica, naquela semana o Rei Preto das cocadas ficou mais velho, mais maduro. Até se deliciou com uma ou duas cocadas de suas Quengas. Foi nessa semana que ele decidiu sua vida: iria sim para o ramo da Política, mas não deixaria de ser o Rei.

É. Ironicamente, ele sim soube fazer um ‘O’ com uma quenga” nessa vida!

Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.


Atualizado por Pedro Gurgel, às 8:10 PM.





"Em cantos da vida
conto contos para me revelar,
para então
dar asas à imaginação
e voar longe da realidade cruel."


Quando o que Deus não previu acontece, quando Deus se surpreende com as decisões vindas do livre, a esse evento chamamos acaso.
Esta é a Casa dos Acasos, local onde acontece e desacontece, quase que poeticamente, o acaso. Histórias criadas por Deus, por homens e por ninguéns, serão contadas e/ou cantadas neste canto de contos e de sonhos. Sejam bem-vindas e bem-vindos.

Postado por: Pedro Gurgel Moraes, nascido em 1988, pseudocidadão de Fortaleza, quase poeta, professor de Matemática e integrante do Grupo Literário APPLE.

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