Pedro Gurgel Moraes
meus pequenos eus
Certos versos me fugiram do caminho,
há precisas cinquenta e quarto encruzilhadas.
Olhei fundo nos olhos dos pequenos meus eus
a esperar para que dissesse quem são, e disse:
logo, logo, versos serão.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:50 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Série: as curtinhas do Gurgel
sensação e sentimento
minha nostalgia, esse momento.
minha saudade, essa eternidade...
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:51 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Série: Repostagens
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Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008
Cartas Engarrafadas
Enquanto navegava em meu barco de papel, nestes mares às vezes conhecidos, me surgiu, por entre os balançares das ondas, uma garrafa. Pareceu-me familiar, embora fosse antiga. Não me contive: peguei a garrafa. Vi dentro um papel. Abri-o. E li:
"'Pra recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto'
Imagino eu que, agora concordando com Paulo Mendes, o amor, de fato, acaba. Acaba e recomeça; e recomeça e recomeça e recomeça.
Amo. Se esse amor vai acabar? Bem, não sei. Espero que não, mas acho que sim. No entanto, embora ache que ele acabe, ele vai recomeçar. Se é pela mesma pessoa? Também não sei. Acho que sim, espero que sim; e talvez isto seja amar eternamente: o amor acabar e, por um acaso, recomeçar pela mesma pessoa. Nesse caso, Deus seria o acaso. Ou seria Deus obra do mesmo? Ou seria ele, o acaso, obra de Deus? Bem, isso, mais uma vez, também não sei. Mas o amor eterno acredito ser filho do acaso. Se sou filho do acaso? Espero que sim, mas acho que não."
A carta não tinha assinatura. Estranho... A carta também me era familiar. De onde ela teria vindo?
Ah! É isso! ela veio do passado.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:52 AM.
Esse texto foi daqueles que eu escrevi para a Raquel. Não gostei muito, não! Mesmo depois de algumas poucas alterações que fiz para postar aqui.
Pedro Gurgel Moraes
Sempre esperando críticas e sugestões!
Das minhas estranhezas e sentidos
Parece que me tornei um estranho. Um estranho a mim mesmo...
Depois de certo tempo de caminhada a gente se perde, e se perde feio: não sabe mais nem porque está aqui ou ali, nem desde quando, nem quem é, nada. Não sabe mais de nada!
Se passamos muito tempo soltos no espaço, ou até perdidos pelas curvas do universo, esquecemos a cor do mar, o cheiro da praia, o clima da serra. Dependendo do estágio de desesperança, podemos esquecer quase tudo. Podemos tornar nossas lembranças mais preciosas em meros vultos torpes do passado.
Mas existem coisas que não perdemos, independentemente da situação. E essas coisas, em geral, não são escolhidas por nós mesmos, aliás, não são sequer escolhidas. Elas estão fincadas na alma, na essência. Infelizmente essas coisas tão pessoais, tão intrínsecas de cada ser, que não podem ser descobertas por segundos ou terceiros: elas tem de ser descobertas em primeira pessoa, do singular, talvez; e se demora muito mais que segundos até chegar-se à descoberta tão fabulosa.
Uma dessas coisas incrustadas na minha essência, é um certo amor que tenho, completamente devoto.
Percorri um caminho
em que, a cada passo dado,
o chão atrás ia caindo.
Atravessei o universo assim:
sem poder dar passos para o passado,
sem saber o que deixei atrás de mim.
Não podia cambalear, pois estreito era o caminho
e largo era o vão escuro e torpe que acompanhavam a estrada.
Não podia ouvir canto de passarinho;
não podia desistir da empreitada;
não podia nada!
Quarenta e cinco encruzilhadas:
cada escolha feita, algo de que se abre mão;
cada amor que não fiz existir, mais só o coração.
E no final dessa história desventurada:
descubro que só existo para te fazer sentir amor;
senão, o sentido das coisas é dor!
Dor.
Nada a menos.
Nada há mais.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:43 AM.
Ainda na série "Repostagens", venho com um texto bem ao meu estilo antigo, com algumas correções...
Pedro Gurgel Moraes
Série: Repostagens
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Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Leitura ocular
Quadros rasgados, jarros quebrados, pratos no ar. Socos na parede, chutes nas portas, arremesso de madeiras ornamentadas. Sofás de cabeça para baixo, camas reviradas, televisão suspensa nas mãos. Um estrondo de destruição. Dor.
Num canto de uma sala, algo ainda inteiro. Inteiro, em pé, firme. Dentro dele, na figura mais bela, está o âmago da dor: ela.
E, num ímpeto de fúria, ele agarra bruscamente o objeto. Estilhaçar no bruto concreto. Dor. Do porta-retrato caiu o vivo papel a olhá-lo. A saliva sufocava-lhe o peito. Dor. Dor. Dor... Um caroço na garganta. Um berro.
Liberdade.
E nada mais foi visto naqueles brilhantes olhos castanhos.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:30 PM.
Como nem sempre podemos produzir na medida em que queremos, resolvi, seguindo o conselho do Carlim, fazer uma série chamada "Repostagens", posto que eu sou um dos que tem o blog mais antigo do turma dos Blogs de Quinta.
Pedro Gurgel Moraes
Leiam, critiquem, comparem com o meu estilo atual e, se possível, digam-me se mudei ou não.
Série: Repostagens
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Quarta-feira, Novembro 23, 2005
Relógio tradicional
Tic-tac. Um sutil sentimento invadiu seu coração, agora mais calmo. Sentiu a vida mais leve, mais amena, desta vez, pura e simples. E, como nunca tivera feito antes, parou para pensar...
Lembrou-se então da bomba-relógio que todos carregam fincada dentro do peito. Respirou fundo. Era preciso força e coragem para encarar a dura realidade na qual se encontrava. Percebeu que, diferente daquilo que costumeiramente sentia, arrependeu-se de muitas coisas. Coisas as quais não fez.
Aconteceu com seu pai, com seu avô e, agora, com ele. Naquele exato instante lembrava da frase do pai: " Não tenha pressa meu filho, pois ela te rouba o tempo". Somente ali, sentado naquela poltrona, ele veio entender aquelas palavras.
Tinha 40 anos. Um filho e uma filha. Era divorciado. Médico especializado em cardiologia. Enxergou que nada viveu enquanto lutava para ser alguém.
O relógio da vida bateu.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:58 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pisos falsos
quando
cada passo
dado
vira obstáculo,
o empecilho é o pisar,
o caminhar,
em falso.
ou pior:
o amar.
entre falsos.
Um Aluno da Escola da Vida.
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Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Desculpem o tempo que passei sem postar. Mas parece que andei caminhando por estradas tortuosas e errantes...
Atualizado por Pedro Gurgel, às 3:04 AM.
Pedro Gurgel Moraes
POST (REPOST) SUPER EXTRAORDINÁRIO EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DO CARLINHOS!
Tudo bem que ele não é mais o Rei da Cocada, e tal... mas o texto ainda vale! PARABÉNS CARLIM!
O Rei Preto das cocadas e suas Quengas
Não era uma semana incomum. De fato, era uma terça-feira padrão: acordar cedo (pois dormir é perda de tempo), comer, resolver algumas pendências dos estudos e correr para suas Quengas. Isso mesmo Quengas com “Q” maiúsculo. Afinal, ele, o Rei Preto das cocadas, jamais deixaria alguém tratar suas preciosidades como coisas feitas para se comer de um jeito qualquer. Principalmente dentro de sua casa.
Suas Quengas guardavam a cocada mais doce, mais saborosa. Eram, definitivamente, perfeitas, desejadas, adoradas. Cada remessa vinha como se viesse ao mundo um conjunto de abelhas carregando o que há de mais melífluo em toda natureza. Não era à toa que eram tão almejadas as Quengas e suas cocadas, pois, não obstante, foram tempos de dedicação e de aperfeiçoamento para se tornar o Rei, o tão aclamado, amado e adorado, Senhor Rei (preto) das cocadas.
Aquela não era uma semana incomum. Não fosse a idade do Rei que bateu-lhe às costas dizendo: “Está na hora de buscar algo mais promissor, amigo... Chega de bancar o Rei!”, obviamente ele refutava, “Como assim?! Eu não banco o Rei. Eu sou o Rei! O que haveria eu de fazer além de cuidar das minha Quengas e suas cocadas?”, o pensamento era pertinente (e inteligente), “Política, meu caro! Política! Afinal, você a adora, e muitos de lá começaram de ramos parecidos com os seus, ramos que foram passados de mãe para filho...”. Depois desse pensamento, nosso Rei parou de discutir consigo, e decidiu ser Rei e começar a estudar para entrar na tão aclamada política, para fazer algo de, talvez, mais útil para a sociedade.
É. Era uma semana atípica, naquela semana o Rei Preto das cocadas ficou mais velho, mais maduro. Até se deliciou com uma ou duas cocadas de suas Quengas. Foi nessa semana que ele decidiu sua vida: iria sim para o ramo da Política, mas não deixaria de ser o Rei.
É. Ironicamente, ele sim soube fazer um “‘O’ com uma quenga” nessa vida!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 8:10 PM.
Pedro Gurgel Moraes
um doce ninar para a insone madrugada
Caso não consigas dormir,
Canto uma música à ti.
Caso não consigas ninar,
Olhe pra mim, me deixa te amar.
Me deixa cantar
Esse tom de ninar.
Me deixa dizer
Que amo você!
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Não gostei muito dela, não! Mas foi feita para ser simples mesmo, e de todo coração...
Aproveitando o assunto, aí vai outra.
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insônia
toda noite é insone
e todo dia é dormente.
felizes os que descasam os pesadelos insanos do dia
na insônia da noite.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:21 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Um conto da noite
Oito horas da noite. Em casa. No quarto. Os milissegundos não passam. Ele fica desesperado. Não pára de pensar nela, não pára de desejá-la. Em suas paredes, só existe ela: o rosto, os cabelos, o sorriso, os olhos, tudo! Tudo! Um sentimento grande, e cada vez mais crescente, massacra o peito. Esfrega seu rosto com as mãos, e as leva para os cabelos. O tempo não passa.
Oito horas da noite. Em casa. Na sala. Os milissegundos não passam. Ele fica desesperado. Não pára de desejá-la, de querê-la. Nos cantos, só existe ela: a voz, a beleza, o desejo, a graça, tudo! Tudo! Um sentimento avassalador, e cada vez mais crescente, queima o peito. Esfrega o peito com as mãos, e as leva para os cabelos. Assanha-se. O tempo não passa.
Oito horas da noite. Em casa. No telefone. Os milissegundos não passam. Ele fica desesperado. Não pára de querê-la, de amá-la. Nos dígitos, só existe ela: paixão, amor, coração, torpor, tudo! Tudo! O sentimento grande e avassalador, e cada vez mais crescente, massacra e queima o peito. Esfrega seu fôlego em sua angústia, e a leva para os números corretos. O tempo ainda não passa.
- Alô!
- olha eu sei que parece estranho mas eu preciso muito dizer o quanto mata sentir todo amor do mundo no peito por uma imagem arredia e teimosa tua que não me sai da cabeça e não agüento mais ficar vendo essa hora enganchada na minha garganta. te amo.
- Tudo isso, só pra me dizer isso? Ave! Também te amo! Três anos e sete meses de namoro e tu ainda me trata como se a qualquer momento eu fosse parar de "ficar" contigo! Tô ocupada, daqui a pouco te ligo de volta! Beijo. Tchau!
Oito horas da noite e um minuto.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Nas palavras que usei, não utilizei as novas regras da gramática da língua portuguesa por opção mesmo. Penso que certas regras antigas deixam a leitura dos fonemas mais claras, principalmente no que diz respeito a fluência e musicalidade do texto que, como poeta, não posso deixar de perceber. Quanto à questão gramatical, me refiro mais abertamente ao uso do trema e ao acento diferenciador, pois não percebi nenhum outro desvio no texto postado.
Quanto à fala do personagem, aquilo foi proposital mesmo! Gostaria de saber o que vocês acharam.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:14 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Uma crônica ao entardecer
Aquela história toda virou uma confusão. Brisa não sabia mais o que fazer. Não entendia nada. Já se ia pelas cinco da tarde, e a confusão em sua casa continuava, e de um jeito cada vez mais esdrúxulo! Solange só achava graça de tudo, enquanto Pedro Filho analisava a situação como se fosse uma cientista olhando um extraterrestre brotar da terra.
- Pára de rir Sol! Não vejo graça nenhuma!
- Bri, não manda ela parar de rir. É impossível não ver graça nisso! Aliás, a graça está em todo lugar por aqui! (risos)
Gargalhadas desesperadas de Solange.
- Como é que a gente vai explicar isso pra vovó?
- Ué?! Não explica!
- Daqui a pouco a Yasmin vai chegar em casa e eu tenho certeza que ela vai ligar pra vovó. Ou pro hospital! Ou pior, para a imprensa...
- Você nem sabe o que é imprensa!
- Sei sim! O papai me disse que é uma das maiores organizações que existem no mundo. E que o papel dela é, basicamente, mentir e enganar todo mundo!
...
Alguns minutos se passaram, e a coisa toda começou a se resolver.
Aconteceu que, bem no meio da tarde, Pedro e Raquel se amaram tanto que não tinham mais espaço para um saber quem era o outro. Aí eles desistiram dessa idéia de separar pessoas! Resultado: se transformaram em uma criatura só. Parecia bastante com uma massa gigante com 4 braços saindo dela e cheia de cores misturadas em si, uma coisa bem esquisita, mas até que não era feia, não! O problema foi as crianças ficarem muito confusas. E como tinha uma adolescente a caminho... Acabaram por se separar, pelo menos fisicamente!
- Olha! Eles estão se separando...
- Graças a Deus!
...
- Êpa! mas o papai tinha seios?
E quem disse que o amor não era um só?
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Mais uma dos 3 anos e 7 meses de namoro!
Só pra todo mundo entender. É que, depois de três anos, eu fiquei meio desleixado (vagabundo mesmo) e acabei por deixar acumular algumas cartas... Resolvi pô-las em dia. Resultado? quatro textos "duma cacetada": uma poesia para o amanhecer; uma crônica para o entardecer; um conto à noite; e um canto à madrugada.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 6:25 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Uma poesia para tua alvorada
Nas manhãs lindas em que insisto amanhecer triste,
Tu és o amor que preciso!
Olhas para mim como que eu fosse mais do que viste,
E faz-me brotar um sorriso.
E por tamanha façanha que arquitetaste,
Hoje te digo:
És mais adorada do tanto quanto são os mares,
Adoro-te mais do que o possível!
Dessa forma, quando tu acordares,
Faça, na tua forma, existir teu brilho
Junto de toda graça.
Pois sois, de te todas as belezas,
E de tudo o que vivo,
Aquela mais amada.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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3 anos e 7 meses de namoro! =D
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:17 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Série comentários que deixei
Poesia deixada em forma de comentário no blog da Dalila.
Entre moças e flores
É tanta Flor
E tanta moça!(;)
Que tem Moça virando flor,
Tem Flor transformando moça,
Tem Moça-Flor inspirando moço,
Tem amor virando alvoroço,
Revirando tudo de novo
Até que um coração, de amor, exploda!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Do que se pode esperar
Poesia deixada em forma de comentário no blog da Taís Morais.
Na vida, quando se espera,
Tudo se desespera!
Da vida, nada se pode esperançar,
Ou esperar...
Senão,
Ou tudo dança,
Ou tudo é tristeza de criança.
Nada é esperança.
Esperança da vida é se desesperar!
Esperança verdadeira, acordar!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:20 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Série comentários que deixei
Poesia deixada em forma de comentário no blog da Vivi.
Apesar de não ser mutio comum eu escrever sobre outras poesia, dessa vez arrisquei.
Impreciso
Precisões imprecisas:
Não preciso das coisas que digo:
Preciso!
(parênteses)
"Navigare necesse; vivere non est necesse"
Fala Pompeu, o general romano.
Enquanto ruma à guerra!
com seus homens amedrontados...
(fecha)
Realmente de tudo preciso?
Não. Nem mesmo do amor,
Apenas do amar.
Por isso parafraseio e redigo, repito,
Preciso:
"Amar é preciso; Amor não é preciso".
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Curtinha deixada em forma de comentário no blog da Taís Morais
complexo de simplicidade
simples como o vento pára de soprar!
simples como quem ama pára de amar.
é morrer, sem parar de suspirar!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:15 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Das coisas que sou
De todos os lados que podia enxergar,
Olhei para o pior.
E o pessimismo fez o melhor de mim.
(pensei)
De todos os cantos que podia contar,
Cantei para o melhor.
E o otimismo me fez feliz.
(senti)
De todos os olhos que podia cerrar,
Mergulhei em mim.
E me fiz eu.
(fui)
Penso.
Sinto.
Sou.
(correto?)
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 8:38 AM.
Pedro Gurgel Moraes
descortina
que abram-se as cortinas da vida.
comecemos a interpretar nossos papéis.
sabendo ou não nossas falas
seremos protagonistas de um personagem
que talvez digamos ser nós mesmos.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Voltei. De vez!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:41 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Diálogo da desperança
Utopia! és uma realidade sonhada:
Paupável e possível,
Embora o coração não tenha a coragem para alcançar-te.
Desespero! não fosses tão duro,
Não durarias
Tudo que duro.
Somos! essa dupla voz retombante
De tudo o que fazemos, o que pensamos;
Qual nada, aquilo que idealizamos,
Somos tanto
(tantos)
Que não somos.
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Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série: as curtinhas do Gurgel
detalhes
pessoas dizem que o diabo mora nos detalhes
ponto
isso é porque elas não identificaram a divina beleza deles
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Navegador dos Mares dos Sonhos.
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A criatividade se afastou de mim. E depois voltou!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:12 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Alguém à porta
toc toc
bateram à porta.
toc toc
estou cansado e não vou atender.
toc toc
persistente é quem me pertuba à porta.
toc toc
não me importa quem venha a ser.
meu quarto escuro é mais belo.
minha angústia, mais amena.
toc toc toc
toc toc
toc
alguém aí?
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série: as curtinhas do Gurgel
ontem
os problemas de hoje
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Achei algumas poesias antigas e resolvi postar uma aqui.
Quanto a série das "curtinhas" acho que quase todas já foram postadas aqui e estão apenas passando por um reposte.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:39 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Trevo
Três flores com três pétalas,
Três reinos em três pedras.
Trevo de luz que vence a treva.
Trevo da sorte?
Trevos belos no inverno,
Trevos que não se entrevam!
Três cartas de três cores.
Trevo do amor?
O trevo: Acaso, Destino e Escolha. (Decisão?)
A treva é não ter poesia no coração!
Em três versos, eis quem sou:
Três eus. E todos te dou.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:12 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Crônica
Desarrolhos de família
É interessante como certas coisas se desenrolam na vida. Por exemplo: muito me chama a atenção a falta de capacidade de desarrolhar uma garrafa de vinho, ou mesmo de champanhe, de alguns sujeitos. Não importa qual seja a ocasião: aniversário de gente importante, casamento, ano novo (reveillon é muito francês para o meu português), enfim, os compromissos que, culturalmente, pedem tais habilidades.
O primeiro problema geralmente encontrado é a inexperiência com destampamento de contendores de bebidas diferenciadas, pois, cotidianamente, não se precisa desarrolhar essas coisas (e nem sempre se tem dinheiro para gastar praticando); o segundo obstáculo é que os não iniciados na arte do desarrolhamento continuam a insistir em tentar destampá-los, o que resulta em muita perda de paciência com sensação de incapacidade (de fato!). E, no final das contas, das festas e das comemorações, alguns, de tanto insistirem, tornam-se aptos ao serviço; outros simplesmente desistem e só desfrutam do líquido; e a grande maioria continua persistir no amargo sabor do não-destampamento.
Isso me fez pensar.
Percebi que isso acontece em setores muito mais delicados e profundos da vida. A prova disso está em uma parte da minha história. Ou em três. A coisa toda é bem simples...
Parte I: o passado distante
Primeiramente, meus pais casaram muito novos e contra a vontade de família da minha mãe. Depois, inevitavelmente, meu pai conquistou toda família, tornando-se um membro amado e querido. Assim, após alguns anos, meu avô morreu e, logo em seguida, meus pais se separaram. Em tese, minha mãe estaria "só" e com três filhos "nas costas" para criar. Dessa forma, todos disseram:
- Pobres garotos, não vão dar pra nada na vida...
Não demos pra nada na vida. Conquistamos tudo o que podíamos.
Parte II: interlúdio.
Conversa vai, conversa vem. Sofre isso, sofre aquilo. O tempo passou, e lá estávamos nós: o irmão mais velho muito bem arranjado financeiramente e casado; os dois mais novos estudando e, como se diz, "bem resolvidos na vida", além de morarem com a mãe e a avó. Assim, todos disseram:
- Quem os sustenta é a avó.
Tivemos nosso alicerce. Éramos sustentados por muito mais do que apenas uma coluna.
Parte III: o passado presente.
Minha avó morreu.
Sim, isso é natural do processo da vida.
Porém, mais natural, é o sofrimento humano ante a perda doída e sofrida. Foi como se pegassem os esqueletos de cada um de nós, mergulhassem em álcool e depois estendessem para sentirmos os ossos congelando. Era o frio sem inverno. O congelar sem gelo ou flocos de neve. E doeu como me doem certas poesias de Drummond. Então, todos disseram:
- Agora eles se acabam. A família deles desmorona. Eles eram sustentados pela mãe dela.
Não. Mamãe manteve-se em pé. Firme, dura, com o coração pulsante e inflamando, pois ela amava minha avó. Foi ela, ovelha branca em meio a negras, quem sustentou seus irmãos. Ela quem os sustenta. Ela é quem me sustenta.
Fim das partes.
Se eu pudesse dar um conselho, o que aconselharia? Amem e deixem que as coisas se destampem!
Muitos aprenderam e entenderam. Outros se ocultaram após o acontecido. No entanto, ainda existem uns poucos, bem poucos, que se atrevem a tentar desarrolhar a nossa família. Todavia, só quem tem o jeito, a manha e os calos para destampar esse lacre e embevecer-se no líquido maravilhoso guardado na garrafa dessa família, é a mulher que cultivou essa bebida e os que, juntos dela, amaram, riram e sofreram.
Dizem que não se dá murro em ponta de faca:
A maioria perde a mão nessa empreitada;
alguns se ferem muito, mas entortam a faca;
outros menos, recuperam sua mão e destroem-na
(a faca);
mas quase ninguém
- ou ninguém -
a abaixa e a utiliza para cortar um bom pedaço
de pudim de ameixa bem cultivada.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Sim, o texto é pessoal. Sim, o texto é um desabafo. Ponto.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:59 PM.
Pedro Gurgel Moraes
À distância do meu braço
Das coisas que já falei e ainda me falta falar, uma delas é o abraço. Não importa o quanto se tema, o quanto se negue, o quanto se evite o envolver dos braços, ele é – e sempre vai ser – uma das principais razões explicativas para a existência desses membros.
Basta esticarmos os braços um pouco a frente e veremos o pequeno vazio que fica. É um espaço pequeno, aparentemente. Porém nele cabe – e está – uma infinidade de informações, incontáveis coisas físicas e abstratas. Só há uma coisa que pode dar a sensação de preenchimento desse “vácuo”, outros braços encaixando-se perfeitamente como se fossem uma chave, fechando um a-braço.
Não há algo mais gostoso, mais aliviante, do que um abraço sincero, calmo, envolvente, preenche-dor (com amor) do vazio externo e que acalma e torna terno o nosso interno, do que o abraço.
Poder-se-ia dizer do Universo que, em seu único verso, seus braços são o Destino e o Acaso. E que, com ambos abarca – ou melhor – abraça a tudo e a todos, pois alcança a si dobrando-se sobre si, como num milagre belo, quase solitário de não ter a quem abraçar, exceto Deus.
A todos, à distância do meu braço, estendo meu abraço.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:47 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Ponta de faca
Dizem que não se dá murro em ponta de faca:
A maioria perde a mão nessa empreitada;
alguns se ferem muito, mas entortam a faca;
outros menos, recuperam sua mão e destroem-na
(a faca);
mas quase ninguém
- ou ninguém -
a abaixa e a utiliza para cortar um bom pedaço
de pudim de ameixa bem cultivada.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Eu não gostei muito dessa poesia não... Mas vai mermassim! Quem quiser textos melhores, POR FAVOR queiram, leiam os textos anteriores. =D
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:55 PM.
(Esse é o canto do passarinho meu) Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
O canto do passarinho
Tu és o meu passarinho
Passarinho bem bonito
Bonito e dos olhos verdes de castanha
Castanhas daquelas do melhor sabor
Sabor indescritível
Indescritível, tanto, que só se pode degustar
Degustar, com os olhos, aqueles olhos
Olhos verdes de castanha, daquele pássaro
Pássaro que no meu ouvido vem cantar:
Amou; amas; és amado...
E para sempre amarás.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Beleza-ti
Hoje vou falar da beleza
Da beleza que conheci
Da beleza que cativei
Beleza que conquistei
Beleza que consegui
Hoje vou falar da beleza
(e como estou falando!)
Beleza assim:
Belamente bela
Belamente amor
Beleza-ti.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Ainda sem internet... (lágrimas)
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:56 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Travesseiro
Certa vez indagou-me um amigo: “por que raios, quando os bichos atrapalham nosso sono, nós, em vez de acabar com os bichos, surramos tanto o tanto o travesseiro, aquele cujo está lá justamente para acalentar nosso sono e guardar nossos sonhos?”
Não obstante, atirei-me nessa metáfora como o único mergulhador do único açude do sertão o faria, e flagrei-me em busca do travesseiro de minh´alma. Desse ponto surge o mesmo questionamento: por que nós aplicamos nossas decepções, tristezas e o nosso mau-humor nas pessoas que amamos?
Percebi, assim que o amor é fundamental. Muito mais fundamental até que o trabalho ou o dinheiro, pois nós, usualmente, precisamos de respostas para as atitudes as quais tomamos e, na maioria das vezes, um simples “porque deu vontade” não resolve, já que necessitamos de uma resposta mais sólida, mas concreta. Uma das respostas mais comuns é: outras pessoas. Entretanto essas outras pessoas não podem ser pessoas quaisquer, elas devem ter algo especial, algo como... como... como...
Como um colo-travesseiro,
Algo, na verdade, alguém,
Como você:
Meu travesseiro o qual
Jamais será surrada ou esquecida.
O remanso, o recanto,
De minh´alma.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Estou sem fácil acesso à internet. Por favor,me perdoem por não ter comentado nos seus blogs nesses últimos dias, prometo visitá-los o quanto antes. E postar, sempre que possível.
Abraços.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:59 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Velha amiga
Uma vez eu tive uma amiga.
E ela era única:
Cheia de virtudes
E ainda mais cheia de defeitos.
Nós nos queríamos bem, como amigos se querem.
Uma vez eu tive uma amiga.
E ainda a tenho.
Entretanto, nas discrepâncias da vida,
Deixei-me invadir por algo puro e divino,
Algo como a Fé, ou Amor...
Isso cavou um abismo.
Um imenso e abissal abismo
Entre nós:
Eu cá com meus castos sentimentos,
Ela lá, com seu coração desesperado de dor.
Uma vez eu tive uma amiga,
Uma grande amiga.
Mas não tão grande quanto o vórtice profundo por nós edificados,
Ruínas intensas para onde olhamos
Assistindo ao sepulcro daquilo que outrora fora mais belo.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:31 PM.
"A paixão é uma fera hibernada." Ana Cristina César
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."Carlos Drummond de Andrade
Eternidade
Deslizante por sobre o firmamento infinito,
Embarco numa jangada imaginada.
Buscando uma desculpa que me diga porque existo
Ou porque não desisto de navegar,
Quando, simples, te beijo
Transmito todo o sentimento que me incendeia.
E atrás de mim esconde-se um medo do inferno,
Um lugar onde não estejas.
Navego por este mar vazio,
Por ter sentido muita dor.
Assisto ao oceano infindo e finalmente te vejo:
Mitigando-me a dor.
Batiza-me de Amor
E dou-me a ti, com glória e louvor.
Pois me mereces assim:
Uma fera divina adormecida
Uma coisa qualquer que se ilimita
E só se revela num beijo de verdade,
Este sentimento de eternidade.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Me vejo
Olho para os lados e nada vejo,
Quem sabe, escolho não ver?
Enxergo-me ante um espelho
E vejo tudo o que em mim é feio,
Feiúra a se perder.
Olho para trás, para frente...
Nada descortino em minha fronte
Contemplo-me, tão frágil,
Tão humano, tão menino, tão errante,
Que nunca abandono este sentimento,
Este anseio, este desejo, ardente.
Fecho os olhos e a tudo alcanço,
Com a distância do braço de minha imaginação.
Sinto tua respiração cada vez mais perto,
E ofegante, abraço meu coração.
Sinto que, de fato, sou belo
E minha beleza é a parte minha que és tu:
Meu ser, meu sentir, meu respirar, minha paixão.
Como quem passa pelo convés da dor,
Vejo-te e descubro-te:
Meu amor.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Meu aniversário hoje! Cheguei aos meus vinte e poucos, finalmente! Vinte um verões, mormaços, quinturas e calores, isto é, oitenta e quatro estações vividas... Umas bem, outras mal, mas sempre vividas! Estas poesias foram dadas e dedicadas ao melhor presente que já recebi, e foi da minha casa, do meu Acaso: o Amor.
A todos amigos, muito obrigado! Por tudo.
P.S.: A poesia "Das coisas que me vejo" está bem diferente, pois como meu blog é da versão antiga, não pude colocá-la como está em sua forma original, que se estrutura da seguinte forma: as três primeiras estrofes ficam lado a lado, e a última estrofe fica centralizada abaixo das três.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:18 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Entranhas
Embaralham minhas vísceras sensações medonhas:
Contorcem-se, contraem-se, redobram-se, dobram-me;
Matando-me de agonia, de angústia, de ânsia.
Querem sair-me pela boca todas as entranhas.
Uma a uma, como fossem mãos desesperadas de soldados moribundos,
Elas sobem com suas garras através de minha garganta,
Rasgando-me por dentro e berrando por liberdade ou clemência,
Até chegarem em minha boca, onde abrem-na à força, de dentro para o mundo.
Me provocam, me provocam, me provocam, me provoco,
Expurgo todo alimento pertencente ao meu corpo.
Pois não sou digno de cevar-me, talvez.
Abato-me por cima de meus bagos e prantos.
Desfalecido, pútrido e desterrado, sussurro em algum canto:
- Privaram-me o amor, outra vez.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série cometários que deixei
Dos meus climas e estações
Sou verão.
Mormaço talvez.
(Aquele verão castigante do interior.)
Acho que, no final das contas, não sou estação.
Mas caatinga.
Sem saber o que é ser inverno ou primavera,
Para pelo menos sonhar...
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:37 PM.
Crônica do natal passado: coisas da vida
Natal. Passou o Natal. Denovo. Nada de novo. Não sei ao certo o porquê, mas costumava gostar dessa data. Talvez fossem as férias, pois sempre as tive - sem precisar ir para a escola no mês de dezembro -, elas já davam um ar de sossego, despreocupação. Porém, uma coisa eu certamente percebia: os adornos espalhados pela cidade esbaldando brilho, beleza, elegância, alegria. Eu coseguia até sentir o cheiro natalino.
É bem certo que uma das coisas que colaboraram para o desapego, ou pior, o desencanto desses tempos de afeição e caridade - hoje transformados em dissimulação e falsidade - foi não só a maturidade, mas também as desaventuranças da vida, em geral ligadas ao des-equilíbrio, des-união e des-vida (a melancolia vinda com a morte). Houve um tempo, não há muito, em que meu coração inocente palpitava de ansiedade por chegar na casa de meus avós maternos para ver a minha festa preferida ser celebrada, a festa que todos ganhavam presentes, que todos estavam unidos.
Depois, meu avô morreu; o divórcio não esperado dos meus pais aconteceu; também vieram as dificuldades que, curiosamente opostas ao natal mencionado, hoje parecem distantes; cresci; e minha avó morreu. E eu, finalmente, matei o Papai Noel e toda aquela parafernalha de natal.
A verdade é que me tornei o oposto do que era antes, ao menos durante essa época: não tive férias em dezembro, mesmo sem ter reprovações; meu coração não palpitou; não admirei as luzes; não houve união ou partilha de presentes; não houve, sequer, presentes; não senti o cheiro do natal. Mas tudo é minha culpa, minha tão grande culpa, eu que me perdi no meio do caminho, por entre os lobos vermelhos vestidos de ovelhas negras, por entre essas coisas da vida.
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Meme passado por Sara Albuquerque, princesa das palavras, do blog Fábrica das Palavras. Peço desculpas pelo longo tempo sem postar. Não vou prometer que vou passar a postar assiduamente, porque toda vez que prometo, descumpro (parece regra).
As 6 regras do meme são:
1 - Linkar a pessoa que te indicou.
2 - Escrever as regras do meme em seu blog.
3 - Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
4 - Indique mais 6 pessoas e coloque os links no final do post.
5 - Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.
6 - Deixar os indicados saberem quando você publicar seu post.
1 - Em geral, eu não gosto, nem participo, de "memes". Salvo esta rara exceção, pois quem deixou este meme foi uma grande amiga, por quem tenho grande apreço.
2 - Estou gordo. Fato.
3 - Estou apaixonado. Fato. E pior, ela também está apaixonada por mim. (Isso há três anos)
4 - Em geral, não cumrpo minhas palavras.
5 - Estou, definitivamente, precisando emagrecer, falar menos e fazer mais.
6 - Adoro chocolate!
Como esse blog dá muito trabalho pra linkar, vou apenas deixar indicado quem deve fazer o meme. E é claro que não vou ficar chateado se alguém não o fizer.
1 - C. A. Ribeiro Neto
2 - Thiago César
3 - Paulo Henrique
4 - Marcela Facó
5 - Incompreendida
6 - Gabriela Benigno
Obs.: Sara, por favor (PELAMORDEDEUS), não fique chateada, pois fiquei extremamente lisongeado por você ter lembrado de mim no seu meme, e somente por isso o respondi.
Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:21 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Apaixão
Paixão é isto.
Isto que me arde por dentro, que me consome por inteiro. Este algo que me sobe dos pés ao coração, que me desce da cabeça e acelera a respiração.
Sentimento que me faz um certo bate-e-volta, que me revira, me entorta, feito veneno cujo se espalha pelo sangue de um certo sujeito "eu", sujeito amante.
Tal veneno é a cura para as crises incessantes quais me impus por querer ser demasiadamente humano, demasiadamente amado.
Me fiz são em teus olhos, teus ouvidos, teus abraços.
Me fiz eu na doçura dos teus lábios.
Paixão é isto.
Tudo isto que sinto por ti. Além do amor.
Amo-te.
Apaixono-me.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Como vou viajar hoje, e acredito que não poderei postar amanhã, adianto, hoje, este post!
A todos Blogueiros de Quinta um grande abraço! Prometo fazer as visitas pendentes assim que retornar de viagem!
P.S.: O título num foi erro de digitação não, ele é assim mesmo!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:57 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Minha prosa com meus Amigos
Um mês. Um mês sem postar, sem visitar as casas dos amigos, sem ler seu respectivos textos. Enfim, um mês.
Sim! é muito tempo. Demorei porque, sinceramente, estava perdido demais para me encontrar em minha própria casa. Assim, aproveitei para me perder ainda mais e, quem sabe, um dia me encontrar. Tive uma longa prosa com o Acaso sobre mim. O Acaso, ele quem tem sido um dos mais fiéis amigos que tenho... Não obstante, chegamos a conclusão que o problema era fundo demais para mergulharmos nele sozinhos, portanto, convidamos, seu irmão, o Destino para nossa discussão.
Quando tratávamos das questões da Vida, eis que A própria bateu na porta de minha casa e disse:
- Já chega desse fuá! Já se passou um mês, é hora de caminhar!
Diabos! Ela estava certa. Completamente certa. O Tempo passou e eu nem vi. A verdade é que eu percebi: nem sempre tenho algo, de fato, para escrever. Entretanto, sempre tenho algum sentimento para expressar. Assim sendo, entendi que a Vida veio me dizer, enquanto conversava com os dois irmãos, o Acaso e o Destino (por sinal, gêmeos idênticos), que mesmo parecendo piegas, eu tenho, por necessidade intrísseca de poeta, de dizer algo. Ao menos uma vez por semana.
Assim sendo, aqui faço os meus votos: estou de volta! Esperem por mim, pelo menos uma vez na semana!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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PIEGUICE É!? Eu quero mais é falar!
P.S.: O horário de verão faz da minha quinta, muitas sextas...
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:46 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Do outro lado do mundo
Eis que na distância de nossos corpos
minh'alma transcende.
Na persiguição do sentimento pulsante,
na dor do coração dilacerante,
sem sanar a saudade latente.
Sentindo o amor pungente
Do mais insano amante
Cujo, ele sim, soube o que era amar
Elevando-se ele mesmo sobre si,
Levantando-se ante sua dor berrante.
Que berra:
Amo-te minha Deusa! Amo-te!
Alcanço-te nos teus (meus) sonhos,
Para lá sermos amantes.
Enquanto a terra -
Maldita Terra! -
Nos faz distantes.
Amo-te, meu amor.
Sou teu amante.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série comentários que deixei
Poesia deixada em forma de comentário no Blog do Carlinhos (hoje ainda!), com um título e alguns versos, talvez, mais adequados.
oceano fora de órbita
quando penso ter me encontrado no mundo.
descubro um vasto universo.
transmitindo em sinais gravitacionais mudos
que tudo é mais amplo do que penso.
calo-me num pensamento profundo,
mergulho, mergulho tão fundo,
que me acho no oceano.
fora de mim.
fora de minha órbita.
dentro de mim.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Só pude postar hoje, amigos de Quinta, pois ontem de viagem cheguei, estava noutro planeta, noutro lugar, um tal de Cedro, no sistema de Cariri, sistema solar muito quente, muito mesmo!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:56 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Ao som de
Era noite. Tarde da noite. Tarde como eram noites as tardes em que pensava sobre a vida, sobre como as coisas aconteceram daquele jeito errado. Ao som de Adriana Calcanhoto e suas mentiras invadindo as portas do seu peito, inundava sua poltrona de tristeza, em sua casa, por hora, infeliz e solitária. Percebia, em seu jeito, agora tristonho e sisudo, que por mais que tivesse tentado não se envolver, era tarde, era impossível. Não sabia, mas a verdade é que ele era humano, demasiadamente humano, para não se envolver. Ele plantou em quem nele primeiro plantara.
Não teve cuidado com aquilo que plantara no mundo.
Era madrugada. Cedo da madrugada. Cedo como se ainda não tivesse o poder de decidir sobre o amor cujo sentia (ou iria sentir). Amor que alguém plantou. Precisava de música. Música profunda. Qual trouxesse aquele sentimento doído, aberto. Precisava pensar ao som de Fábio Jr. cantando Pai. Precisava chorar. Muito.
Não tiveram cuidado com o que plantaram nele.
Era tempo "qualquer". E qualquer sentimento devidamente profundo rompe a barreira do mensurável...
Pensou na família que tinha. Tinha uma família! Resolveu colocar um novo som... Talvez... Incubus tocando o diferente, calmo e belo Aqueos Transmission. Decidiu assumir sua humanidade, e assim, declarar que se apegava às pessoas, que as amava, que se envolvia com o mundo e com tudo o que existe. Resolveu alertar as pessoas. Descobriu que mangueiras grandes demais derrubam seus frutos em qualquer lugar. Saiu de casa e mandou fazer várias cópias de dois tipos de adesivos, dois tipos de mensagens a serem fixadas em vários lugares públicos e simples: “CUIDADO COM O QUE VOCÊ PLANTA NO MUNDO”; “SE ENVOLVA! NÃO HÁ COMO NÃO SE ENVOLVER! SINTA! SEJA HUMANO!”.
Plantou algo no mundo. E dessa mangueira cuidou para não derrubar seus frutos em qualquer lugar. Ao som do silêncio. Ao som do mundo.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Que sejam bem vindos os novos blogueiros de quinta! Gaby e Hermes!
Um texto um tanto diferente. Talvez esquisito...
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:43 AM.
Pedro Gurgel Moraes
O Rei Preto das cocadas e suas Quengas
Não era uma semana incomum. De fato, era uma terça-feira padrão: acordar cedo (pois dormir é perda de tempo), comer, resolver algumas pendências dos estudos e correr para suas Quengas. Isso mesmo Quengas com “Q” maiúsculo. Afinal, ele, o Rei Preto das cocadas, jamais deixaria alguém tratar suas preciosidades como coisas feitas para se comer de um jeito qualquer. Principalmente dentro de sua casa.
Suas Quengas guardavam a cocada mais doce, mais saborosa. Eram, definitivamente, perfeitas, desejadas, adoradas. Cada remessa vinha como se viesse ao mundo um conjunto de abelhas carregando o que há de mais melífluo em toda natureza. Não era à toa que eram tão almejadas as Quengas e suas cocadas, pois, não obstante, foram tempos de dedicação e de aperfeiçoamento para se tornar o Rei, o tão aclamado, amado e adorado, Senhor Rei (preto) das cocadas.
Aquela não era uma semana incomum. Não fosse a idade do Rei que bateu-lhe às costas dizendo: “Está na hora de buscar algo mais promissor, amigo... Chega de bancar o Rei!”, obviamente ele refutava, “Como assim?! Eu não banco o Rei. Eu sou o Rei! O que haveria eu de fazer além de cuidar das minha Quengas e suas cocadas?”, o pensamento era pertinente (e inteligente), “Política, meu caro! Política! Afinal, você a adora, e muitos de lá começaram de ramos parecidos com os seus, ramos que foram passados de mãe para filho...”. Depois desse pensamento, nosso Rei parou de discutir consigo, e decidiu ser Rei e começar a estudar para entrar na tão aclamada política, para fazer algo de, talvez, mais útil para a sociedade.
É. Era uma semana atípica, naquela semana o Rei Preto das cocadas ficou mais velho, mais maduro. Até se deliciou com uma ou duas cocadas de suas Quengas. Foi nessa semana que ele decidiu sua vida: iria sim para o ramo da Política, mas não deixaria de ser o Rei.
É. Ironicamente,ele sim soube fazer um “‘O’ com uma quenga” nessa vida!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Este post superatrasado é em homenagem ao Carlinhos! Que fez aniversário há quase um mês! E eu devo esse texto a ele há mais de um ano...
Desculpem-me blogueiros de quinta!
E sei que você esperava coisa melhor Carlim... Isso foi o que deu! =D
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:31 PM.
Postarei aqui. Porém, amanhã.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:25 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Confronto com meus olhos
Todos os dias da minha vida acordo.
Olho.
E antevejo.
Todos os dias da minha vida acordo,
Olho
E não mais vejo.
Todos os dias em que acordo,
Não mais olho,
E entre tantos entretantos,
Até que, ante, vejo.
Vejo:
Todos os dias, não acordo.
Não enxergo.
Não olho.
Não cotejo.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Palavra nova no meu dicionário:
COTEJO - s. m. ,confronto; comparação.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:22 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Amor-ampulheta
- Te amo. Incondicionalmente.
- Também te amo.
- Mentira!
- Ah, é?! Por quê?!
- Se não é mentira, então me explique esse amor! Estamos a mais de dois anos juntos e você continua cometendo os mesmos erros. Me explique esse amor que esquece o dia em que "nasceu"!
- É... Hum... Deixe-me ver...
- Viu?! Nem consegue explicar!
- Pronto!
- Pronto o quê?!
- Quer ouvir a explicação ou não?
- Quero. Fale.
- Já nem conto mais quantos meses e anos temos de namoro, pois não trato nosso amor como um calendário determinado. Nosso amor é eterno, belo, indubitável. Ele é como uma ampulheta humilde, embora feita do mais raro cristal, com seu corpo completamente preechido pela areia divina, em ambas as partes, ou seja, não importa de onde você olhe, o tempo não passa, uma vez que nosso amor está, e sempre estará, preenchido pelos grãos que sustentam o paraíso...
...
- Indubitável?! De onde foi que você tirou essa palavra?!
- Boa pergunta...
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Oxigênio
Uma vez tentou-se não amr.
Faltou ar.
A sede se fez companheira.
O arredor secou, mais repentinamente do que o repente.
Pois o amor é o oxigênio da alma:
Invisível ao olho nu.
Essencial à natureza humana.
A umidade, parte da água, a essência do existir (ser).
O amor é duramente maleável:
Maleavelmente seguro.
Inquestionavelmente
Único.
Depois que se ama,
Tudo está feito.
Ao menos para mim,
Desde já, é assim.
Entendi o amor que sinto.
Tudo está feito.
Amo.
Amo-te.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:57 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Mendigos
Não importa o quanto se caminhe.
Não importa por quanto se passe.
Não importa quantas ruas se terminem.
Continuaremos a fingir.
Fingir que não os vemos
E por isso,
Nada fazemos.
Continuaremos a fingir.
Fingir que não somos como eles.
E que "isso" é apenas uma questão de perspectiva.
Perspectiva.
E nada mais.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Apenas mais uma poesia
Loucura,
Ignorância,
Vilania!
Não sei quem sou,
Pr'onde vou,
Ou o que seria:
Crise existencial,
Mentira,
Morte,
Cristo em sua epifania?
Medo da morte?
Medo!
Medo da Vida!
Como quem corre sem saber o que são pernas,
Como quem ama sem saber o que é noite ou dia.
O que é, Deus?! O que é?!
Apenas mais uma poesia...
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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A primeira poesia foi escrita agora, de imediato, apenas sentimentos gritados, culpados.
A segunda está no meu perfil do Iorkut... Digo! Orkut.
Abraço a todas e todos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:55 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
O que há de ti
Tento te escrever em versos.
Versos não há mais.
Lápis e caneta percorrem o papel
Tentando atingir tua forma.
Nem minhas palavras,
Nem palavras de outrem,
De uma língua qualquer, ou de qualquer língua,
Conseguiriam alcançar a cor dos teus olhos.
És linda.
És bela.
Mais, muito mais!
Não haveriam versos,
Tampouco verbos.
Não existiriam pensamentos,
Ainda menos idéias.
Só houve você.
Só haveria você.
Há, somente.
Tua beleza;
Esses versos;
E o sentimento.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Ignorância degolada
A manhã se anunciava pelas janelas do meu quarto. Banho; café da manhã; escovar os dentes; ônibus; escola. Nada de anormal.
Cheguei quase que instantaneamente na escola, mal pude sentir o fino calor do sol. No entanto, no colégio, havia algo um tanto diferente...
A lista. A lista dos nomes. Dos condenados à Guilhotina.
Cacei meu nome. Meu nome não estava lá.
Senti a dor de não ter a cabeça degolada por aquela Guilhotina. Logo aquela! Tinha de ser justo "A" Guilhotina?! Dois passos... Dois míseros passos! por falta deles, não tive meu nome na lista.
Procurei a sala de aula. Sentei-me na cadeira habitual. Amigos tentavam me animar dizendo que eram apenas dois passos e que, com um pouco de esperança, eu poderia dá-los. Isso feriu mais.
Passara o ano inteiro numa batalha incansável, incessante, maçante, e ao final, fui derrotado pelos dois malditos p... Como num último suspiro, tentei mostrar interesse e conhecimento numa aula.
Uma pergunta. Resposta errada.
Outra pergunta. Resposta errada.
Mais outra pergunta. Mais outra resposta errada... ERRADA!
Afundei-me na cadeira socando todo meu corpo na minha ignorância. Mergulhei pesado dentro de mim. Com os olhos secos, não pude chorar. Nem mesmo para dentro.
ZAP! A guilhotina amputou-me os braços. As pernas. A cabeça.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Esses textos foram encontrados numa velha caixa, boiando sobre os Mares dos Sonhos, provavelmente vindas do passado.
Desculpem os textos simples. Eram textos arquivados em meu barco.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:56 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Do meu oceano de lágrimas
Como é grande esse sentimento que me assola o peito!
Como ama esse coração desafinado!
Como ardo de amor!
E, na tua ausência, sofro de saudade.
Não sou mais apaixonado somente
por culpa das lágrimas que me transbordam
o corpo quando da tua ausência sou
acompanhante.
E faço do meu pranto um oceano,
para navegá-lo às lembranças de ti.
Até o dia da tua volta.
Quando faço do meu aceano,
amor.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Soneto do muro invisível
Esta poesia invisível
O é para que você não a veja,
Pois, sem lê-la,
Irás senti-la.
Esta poesia invisível
o é para teu brilho transpassá-la.
Enquanto te admiro
E boquiaberto te vejo caminhar.
Esta poesia tão visível
É o sentimento imutável
Que afaga em meu peito uma dor.
Esta poesia em tua vista,
Este muro de maravilhas,
É um algo invisível, chamado amor.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:35 PM.
Pedro Gurgel Moraes
A arte de andar de ônibus
Não tem quem me tire isto da cabeça: andar de ônibus é uma arte. Isso é um fato! Tudo acontece quase que igualmente para todos:
Primeiro você acorda – óbvio – depois enrola na cama um bocado o suficiente para perder o ônibus mais vago, se levanta, toma café, e segue toda aquela baboseira cotidiana a qual, curiosamente, na voz de um poeta, seria chamada de ritual matutino. É claro que esse poeta não tem a menor noção do quanto se fica mal humorado só de se lembrar que há um transporte, da pior forma possível (público) esperando por você (na verdade é você quem espera por ele) daqui a pouco. Enfim, depois do banho apressado, você sai.
Das duas uma: se é chuva ou o tempo está fechado, a coisa só vai piorar quando você chegar ao ponto do ônibus; se é sol, o calor vem lascando, não há óculos escuros, nem filtro solar e nem boné que dê jeito. É duro, mas você até que gosta da brisa gelada da chuva ou do sol encostando-se à pele durante a manhã. Você gosta, até o momento em que está esperando há dez minutos o seu ônibus. É uma injustiça! Já se foram umas dez levas de passageiros de outros ônibus, e nada do seu chegar. Já cantou três músicas, citou quatro poesias, puxou assunto com desconhecido, e nada. Promete que vai acordar mais cedo amanhã, no entanto, bem no fundo da sua consciência, você sabe que a única coisa que vai acontecer, é que o ônibus vai passar antes de você alcançar o ponto e, com isso, o tempo de espera vai apenas aumentar. Então o silêncio se faz o seu melhor amigo e, no horizonte, vem o tão esperado cavaleiro do apocalipse: o GOLF (Grande Ônibus Lotado e Fedorento).
Milagrosamente você consegue entrar. Num lugar nada confortável, bem atrás da busanfa daquela gorda, horrorosa, velha e antipática. Tão logo, você usa a arte da paciência e espera a natureza já conhecida dos ônibus matutinos levarem você à frente, conforme Newton explicou. Abram-se parênteses para esse gênio da Física, que não previu a criação dos transportes públicos quando disse, com absoluta clarividência, que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço; a verdade é que podem, e inclusive cheiram as mesmas flatulências dentro daquele recinto.
Não tão obstante quanto sempre, você chega à metade do caminho do seu percurso diário, fatídico e quase demoníaco. Você olha o corredor, respira fundo e começa aquela série de “com licenças”, “desculpas” e “obrigados”, levantando seus pés cuidadosamente e tentando achar, inutilmente, um lugar mais a frente para prosseguir na intenção de caminhar. Empurra; puxa; encoxa; desencoxa; é encoxado; sente a catinga; e alcança a porta do outro lado do inferno. Já completamente suado, você percebe ao descer: é seu dia de sorte! conseguiu desembarcar no ponto correto.
Claro que, como sempre, você está todo suado, exausto e estressado. Porém, o pior da manhã já passou, outra dessas somente no final da tarde, durante o percurso de volta para casa. Você pára na banca, pede aquela água e lê na capa do jornal: ”a passagem de ônibus vai aumentar devido os reajustes nos impostos. O governo acha justo, pois o povo tem um excelente serviço de transporte público.”
Finalmente você pensa: “Merda de governo!... – alguns momentos; algo lateja – “minha unha encravada estourou!”
E ainda dizem que o povo reclama de barriga cheia! Depois do povo inventar mais uma arte...
É, andar de ônibus é uma arte!
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:41 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Ele escravo
Hoje ele acordou.
Hoje é dia de trabalho.
Hoje é dia de dinheiro.
Hoje é dia de labuta.
Pois, provavelmente,
haverá um amanhã.
Ontem ele acordou.
Ontem era dia de trabalho, afinal.
Ele precisava do dinheiro...
...pra hoje.
Ora! houve um hoje!
É o sentido das coisas:
Ele é. fato.
Mas quanto?
Mais vale ele ontem?
hoje?... amanhã?
Depende de quanto tem.
E ele veio me falar de sonhos,
projetos e anseios.
Não questionei a valia (importância) do papel,
papel-moeda,
apenas não sei. ainda.
Até quanto vale a pena?
E ele veio me falar de sonhos!?
Amanhã não é dia de trabalho.
Amanhã é dia de folga.
Dia sábado. Dia (do) gasto.
Amanhã ele não acordou.
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Giramundo
Gira mundo gira
Gira mudo gira
Gira gira gira
Gira e muda e gira
Gira imundo e grita
Gira e corre e vira
Essa flor que somos,
Que gira enquanto caminhamos.
Essa flor que somos,
Quase girassol, sempre giramundo.
Gira mundo gira
Gira e pede e grita
Gira a muda dia
Gira gira gira
Gira e corre e vira
Gira
Gira mudo
Gira mundo
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Peço desculpas aos blogueiros de quinta pelo atraso. Não me justificarei (embora haja sensata e justa explicação), pois não há muito a se dizer.
P.S.: Não gostei muito dessas poesias.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:42 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Em tempos de consumo
O tempo é o que consome o homem.
O tempo, o que consome o homem.
O tempo que consome o homem.
O tempo consome o homem.
O tempo, o homem...
O tempo...
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A raiva que é usada para o bem
Eu que olho com ódio,
que olho sério, com raiva!
Eu que enxergo tanto,
que enxergo pranto...
Eu que vejo firme,
vejo exato, preciso!
Preciso usar minha raiva,
Minha alma. Coragem!
Ancoragem.
Precisamente, preciso:
Olhar nos olhos do Diabo,
Que me atormenta;
Matá-lo à unha,
Com o amor do ódio pulsante que sinto,
E amo.
Preciso.
Apenas isso.
E com isso fico em paz.
Um Aluno da Escola da Vida.
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:11 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Noite de um poeta
O cotidiano o sufocava dilacerantemente: a paixão pela vida sumiu; o cansaço assumiu; o andarilho não viu; foi de repentemente. Era a roda do mundo - "a vida é assim." - pensava, constante, a mente. Era o caminhar mudo, de quem deu-se no muro, esqueceu-se do urro, deixando de ser estrela cadente. Numa estrada, um vulto, um coração latente: de dia, o poeta anoitecia com sua alma doente.
Ganhou um grande amor, que se foi, e deixou uma quase-dor, daquelas que não se cura com aguardente. Era saudade, não era dor. Não era egoísmo, era amor. Amor quente; amor potente; amor-ti; amor-mim; amor-gente. Gente bem gente. Gente simplesmente gente.
Então o agente Divino cuidou do menino, mostrando sua amada sorrindo...
Mas quem diria?: um hino, criado em prosa nos versos do poeta-menino que tanto sofria. Ele abraçou a saudade e buscou a liberdade em meio àquela tarde quando seu peito tanto ardia. Ardia de dor. Dor que doía.
Anoiteceu, seu coração ascendeu, e ele voltou àquela boemia. Quanta força, quanto amor! aquele poeta sentia.
Não era mais noite, não era mais dia, não era mais a morte, nem era uma simples poesia: era, sim, a vida!
Um Aluno da Escola da Vida.
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 6:04 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Frio e Duro
Frio como uma pedra,
Duro como um poeta.
Sentimento pulsante,
Pulsação dilacerante.
Andanças do cavaleiro errante
Escandalizadas num simples semblante.
A dor de quem diz a verdade.
Ou um clamor por piedade.
Dada tão pouca idade,
Dum ser perdido nas entranhas da cidade.
O ser, tão poeta! deu-se no muro.
Dos elefantes nas costas, dos pianos (nus).
Não suportou, deu-se no urro:
- A vida! nesse urro! nesse muro! nesse murro!
Duro como uma pedra?
(HUMPF!)
Frio como um poeta.
Um Aluno da Escola da Vida.
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:45 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Enquanto ele pensava e caminhava
Não era muito nem pouco. Só doía. Era a primeira vez que lidava com a morte cara a cara, assim de supetão. Descobriu que certas coisas não se supera, apenas se aprende a conviver com aquilo. Mas "aquilo" doía. E, naquele dia, naquele lugar, só ele sabia o quanto.
Caminhar não era fácil. Nos dois sentidos: na vida, porque "seguir em frente" só era fácil nos livros de auto-ajuda de quinta categoria, aqueles cujo estão mais para casas das traças da biblioteca do que para obras literárias em si; E ali onde estava porque suas pernas já anunciavam o cansaço haviam horas.
Até conseguir imaginar uma situação diferente, ele ainda levou alguns passos. Pensou o que um poeta diria antes de morrer, mas um poeta daqueles bem intensos... E pensou... pensou... pensou. Sempre chegava aos mesmos dois lugares: "A vida é para ser vivida, com amor e intensidade. Deixe a morte para o pensamento do seu avô, viva a flor que é a sua idade."; ou "A vida é um câncer! gostaria de voltar aos meus vinte e poucos, para alimentar este tumor novamente!".
"Que merda!" pensava. Nada chegava e, apesar do cansaço, só pararia de caminhar quando entendesse.
Então caminhou. E caminhou, caminhou e caminhou. Até chegar bem perto de alguma coisa, alguma luz no fim do túnel. Instantes antes de morrer. Atropelado.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
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Desculpem-me a ausência, mas estou temporariamente sem computador, e com pouco acesso a internet. A todas e todos, peço perdão.
E esta foi mais uma postagem de QUINTA.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:00 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Agonia
Agonia que dói no peito; que range os dentes;
que me faz apertar a pele, os pêlos;
que me faz girar a cabeça num gesto de desespero.
Agonia que sufoca o semblante; que entala o sentimento;
que não desce a saliva grossa; que é medo de medo;
que é o passado que atormenta; que é vontade de fugir.
Agonia que é necessidade de mudança;
que é cansaço de andança; que é agonia.
Enquanto digo:
- Chuta a agonia, pisa n'agonia, sufoca a agonia,
esfola a agonia, horroriza a agonia,
mata quem te mata (agonia)!
- Morra a agonia! morra a agonia! morra agonia!
morra! sufoca! sufoca agonia! sufoca agonia!
sufoca! sufoc...
Agonia.
Um Aluno da Escola da Vida.
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Série Comentários que deixei
carnificina
Poesia deixada em forma de comentário no blog da Tati Sabino (Déjà Vu) (eu acho)
a doçura que devora
me ama e me força
me torce e me mastiga
me adora e me trucida
me queima e me faz vida
doçura me devoras
assim sem horas
assim em prosa
assim em poesia
assim com mentiras
carnificina
nossa carne encarnada
carnalmente adorada
pela carne profunda
da poesia
nossa carnificina
me é carnalmente ligada
feito aval da carne
ou carnaval
assim em poesia
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:11 PM.
Pedro Gurgel Moraes
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Parecia
Parecia fome sem vontade de comer,
Desgosto da vontade de viver,
Vida sem o amanhecer.
Parecia tempo fechado sem chover,
Sem sol e sem sombra,
Nem dia nem noite.
Parecia dor que não doía além do doer.
Parecia amor sem amar,
Brilho opaco de ilusão.
Parecia, agora,
Que o coração só pulsava.
E, de repente, nada mais parecia.
Era assim uma dor só;
Feito solidão de quem desaprendera a amar.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Série Comentários que deixei
A graça do bobo
poesia deixada em forma de comentário no blog Déjà Vu
Engraçado como as coisas não eram,
Mas se tornam:
O esperto vira bobo
Portanto, aprende o que é dor;
A boba vira sábia
Portanto, alcança a felicidade.
O bobo vira sábio
Assim, pede perdão a velha boba.
A sábia vira boba
Assim,
Descobre que os sábios são bobos
E os bobos perdoam,
Mesmo os bobos sabendo que são bobos,
Mesmo que os bobos sofram.
Pois eles escolhem sê-lo
Já que assim são felizes.
Ainda que descubram que felicidade
Não é bem aquela bobagem,
Ainda que descubram que sapiência
Não é bem aquela espertice.
Entre espertos, bobos e sábios,
Os espertos são ladrões tristes,
Os sábios são reis incompletos
E os bobos,
Bem...
Estes são professores
Sabiamente espertos ao serem bobos,
Pois estes são felizes!
Engraçado como as coisas eram.
Depois, se transformam.
Depois do vendaval
poesia deixada em forma de comentário no blog da Taís
Sempre tão bela a poesia
Que traz a poetisa
Aos olhos-ouvidos meus;
Falando das ruínas
Outrora minhas
Hoje esquecidas num passado-breu.
É uma pena ver tanta tristeza
Em tamanha beleza.
Mas logo se via,
Pois carnaval é folia
Que depois do vendaval...
Adeus.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
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Peço perdão aos amigos dos Blogs de quinta! Pela primeira vez, postarei numa sexta, pois não pude fazê-lo na quinta, por uma questão de poucas horas. Também peço perdão a todos amigos blogueiros, por não ter visitado nenhum blog na última semana, prometo visitá-los o quanto antes!
Mas continuo sendo de quinta! E fiel amigo de todos vocês!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:46 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Detalhes
Por que estas cores tão belas? Tão vivas? Não me lembro de experimentar tantas cores diferentes. São cores lindas! quase posso sentir o sabor destas cores. Mas, por quê? por que tão belas? Este vermelho, aquele verde das folhas das árvores, esse cinza - quase preto - do asfalto, todas elas. Todas cores.
E esse passo! Ora rápido, ora vagaroso; o calcanhar que encosta no chão e vai transferindo o caminhar para a outra ponta do pé; o peso da mochila nas costas; o tecido da blusa que me roça o peito; o vento que bate refresca, rodopia no enrosca-desenrosca por entre meus pêlos e pelos; sem falar neste meu respirar profundo e calmo, no qual sinto cada molécula que em mim entra pelas entrefrestas das flores tão maravilhosas!
Agora a praça, tão fantástica quanto sempre! Com as garbosas árvores invasoras da paisagem em suas cores antes não observadas, dançava com os transeuntes, parecia música! Aquelas pequenas flores num laranja completamente novo cobrindo feito tapete o cinza do piso; as crianças que jogam bola, sem camisas e descalças; os adolescentes no basquete, com camisa e bem calçadas; essa cor-de-céu em fim-de-tarde; essa formigua que me sobe a perna; que me pica; essa coceira gostosa e boa que me dá.
Por que a vida é tão bela? Por quê? Pra que tudo tão delicado? Essa beleza toda, pra quê? Meu Deus! pra quê? Esse meu cansaço bom... Acho que vou me sentar.
Que banco gostoso! confortavelmente desconfortável, com sua beleza velha de sua cor já descascada. Por que tudo está tão belo hoje? O que será?...
...
Ah! só pode ser isto!
A vida tão bela, é a morte que se achega; assim, amiga sorrateira que chega de repente para nos dar um bom abraço bom, por trás, abraço apertado, bem perto do peito, acalentando o corpo e a alma, esquentando os pêlos, feito um aconchego de um namorado que vira mexe e remexe seu rosto reconfortado no amado, da amada, seio; naquela cama íntima e suave, voluptuosa, deleitosa, amadamente amorosa, e quase poética de veraneios; poética, quase poética.
Um Aluno da Escola da Vida.
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Asas
Somos pássaros,
Todos pássaros.
Falta-nos apenas isso,
Aprender a voar...
Voar...
Oar...
Ar...
...
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:20 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
detalhes
pessoas dizem que o diabo mora nos detalhes
ponto
isso é porque elas não identificaram a divina beleza deles
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fiasco
sou
quase nada
sou quase nada
bem perto de coisa nenhuma
um ser-não-ser à beira da inexistência
não fosse pela sutil grandiosidade do amor
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:38 PM.
Pedro Gurgel Moraes
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De Pierrot a nós
O aglomerado das pessoas o sufocava; a agonia sem razão consumia o seu corpo; o suor tentava afogá-lo numa insanidade infinda. Resolveu sair daquela loucura. Levantou-se, sem que alguém o percebesse.
Sentiu vontade de correr. Correu. Sentiu vontade de correr mais. Correu mais. Sentiu vontade de chuva: chuva!
Ele parou, abriu os braços e fechou os olhos. Decidiu ali que a chuva era para ser sentida, inclinou, lá, seu rosto em direção ao céu. E sorriu.
Uma rosa jazia solitária no chão. Naquele momento ele se perguntou porque eu coloquei aquela rosa lá, no entanto, nem mesmo eu sei o porquê. Seria um amor? uma paixão carnavalesca? por que, logo ali, em meio a uma história tão sem sentido, aquela rosa?
Foi então que descobrimos. Apareceu ali a criatura mais bela já vista, nem mesmo o narrador (eu) ousaria descrevê-la, até mesmo porque aquela garota apareceu na história sem que eu soubesse como, de onde, ou qualquer outra coisa.
A única coisa que se poderia dissertar sobre ela é que seus cabelos eram levemente ondulados, castanhos claro e iam até um pouco abaixo dos ombros; talvez também se pudesse falar de sua pele sublimemente amorenada do sol, ou de sua elegante altura mediana, ou de suas curvas perfeitas no seu corpo carnudo e delicado. No entanto, irremediavelmente, eu poderia falar daqueles olhos.
Ah! aqueles olhos... Não eram somente olhos castanhos escuros, não era somente um belo par de olhos, eram profundos, penetrantes. Eles, os olhos, enveredavam e desvendavam cada parte do corpo daquele garoto, até chegarem no coração daquele sutil amante, daquele sublime amado.
Me surpreendi ao sentí-la me desvendando, e, antes que eu pudesse fazer algo, o garoto já entregava a rosa com um beijo intenso.
Um minuto de silêncio...
Ele olhou-a pensando em fazer a pergunta, mas ela interrompeu o que nem começou:
- Íris - ele fez cara de assustado. Ela continuou - Íris vai ser o nome da nossa filha.
- É triste... - e mais uma vez foi interrompido.
- Não diga isso. Pierrot não sofreu à toa, ele o fez para chegarmos até aqui.
Um minuto de silêncio e de sorrisos.
- Sim! o primeiro filho vai ser mulher...
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a grande epistemologia da filosofia
por quê?
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Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:35 PM.
Pedro Gurgel Moraes
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O homem que não desistia
O homem que não desistia era nada a mais do que um sujeito distintamente normal. Tal distinção se dava, basicamente, por três razões: primeiro porque ele é a pessoa cuja mais erra no planeta em que reside (Terra); segundo porque, apesar de tudo, as pessoas sempre torcem por ele, acreditam nele; terceiro porque ele nunca desiste.
Não se sabe ao certo o motivo dele nunca desitir. O fato é que nem ele mesmo sabe, dado os conflitos internos dele, os quais são, por sinal, mais por indecisões do que por sentimentos propriamente ditos. Diz-se que essa sua indecisão nasce a partir da falação, uma vez que, em grande parte, ele pensa em voz alta (bastante alta, diga-se de passagem); e é daí que vêm os problemas alcançados por tal figura: hora ele pensa e quer isso, hora ele quer e pensa aquilo. E assim, talvez, se brota a persistência dele, afinal, o tal sujeito nunca desiste de tentar acertar, ou pelo menos de arriscar um conserto dos erros cometidos.
Enfim, independentemente do que se diga, tendo-se lido o que aqui, com verdade, foi escrito, esse é um bom homem (talvez...). Principalmente pelo que se percebe mas não se entende bem: ele erra porque é apaixonado; as pessoas acreditam nele e torcem por ele porque ele é apaixonado; ele nunca desiste porque ele é apaixonado.
Ele é apaixonado pela vida.
Ele é apaixonado por que ama.
Ele ama a vida.
Vida, para ele, é amar (ou amá-la).
Eu sou o homem que nunca desiste.
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ontem
os problemas de hoje
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"Esses blogs de quinta!"
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:55 PM.
Pedro Gurgel Moraes
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Cartas engarrafadas
Enquanto navegava em meu barco de papel, sobre estes mares às vezes conhecidos, surgiu por entre os balançares das ondas uma garrafa. Pareceu-me familiar, embora fosse antiga. Não me contive, peguei a garrafa, vi dentro um papel, abri o papel, e li a carta:
"'Pra recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto'
Imagino eu que, agora concordando com Paulo Mendes, o amor de fato acaba. Acabe e recomeça; e recomeça e recomeça e recomeça.
Amo. Se esse amor vai acabar? Bem, não sei. Espero que não, mas acho que sim. No entanto, embora ache que ele acabe, ele vai recomeçar. Se é pela mesma pessoa? Também não sei. Acho que sim, espero que sim; e talvez isto seja amar eternamente: o amor acabar e, por um acaso, recomeçar pela mesma pessoa. Neste caso, Deus seria o acaso. Ou seria Deus obra dele? Ou seria ele, o acaso, obra de Deus? Bem, isso, mais uma vez, também não sei. Mas o amor eterno acredito ser filho do acaso. Se sou filho do acaso? Espero que sim, mas acho que não."
A carta não tinha assinatura. Estranho... A carta também me era familiar. De onde ela teria vindo?
Ah! É isso! ela veio do passado.
Um Aluno da Escola da Vida.
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A hora e o carrasco
Tic-Tic-Tic
A guilhotina está a cortar,
Tic-Tic-Tic
Aos sons nos meus ouvidos.
Tic-Tic-Tic
O algoz está a dilacerar-me a anatomia,
Tic-Tic-Tic
Carrasco grotesco que a todos arrebata.
Tic-Tic-Tic
Pessoas imploram-lhe clemência,
Tic-Tic-Tic
A chorar, ele engole cada uma delas.
Tic-Tic-Tic.
Tic-Tic.
Tic.
É hora de acordar...
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Este post foi atualizado às 23h e 35min da quinta-feira (07/02/2008) segundo o horário de Fortaleza. Portanto, ainda constitui num blog de quinta. (quinta categoria?)
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:38 AM.
Tiago Rodrigo de Almeida Coelho
Pedro Gurgel Moraes
Série amores que não vivi
Carla Rachel
Naquela noite infinda o cansaço já me dominava o corpo enquanto o ônibus seguia para o meu ponte de descida. Após mais um dia de labuta e fatigação mental, nada mais me confortava a alma do que o doce vento cujo bate nos últimos segundos da viagem cotidiana ou o profundo desejo de minha cama. Nada mais me confortaria, não fosse por um acaso.
Maldito; talvez bendito; acaso.
Um dia inteiro na faculdade que fez com que, aparentemente, nada podesse ser mais atrativo do que os meus lençóis, interrompido por toda aquela graciosidade feminina. Antes mesmo de saltar do veículo, já pusera os olhos nela: que dócil! Pelas vestes via-se facilmente que ela saia do seu expediente no supermercado; e, ainda assim, estava, era, bela. As outras que me perdoem, no entanto, as mulheres as quais conseguem, mesmo após um dia maçante, permanecerem charmosas e belas, essas são as rainhas da beleza. Ela era uma rainha da beleza.
Ao tocar meus pés no chão, não pude conter o ímpeto de verificar se havia mesmo, ali, tanta delicadeza.
O pior; digo, o melhor; quer dizer... Ah! enfim, aconteceu: sim! ela estava lá: cabelos castanhos com mechas loiras; pele morena de sol; estatura baixa; magra; corpo delicadamente proporcional; e um sorriso lindo... Ai meu Deus! Ela sorriu pra mim?!
Foi nesse instante que passei a mão por entre meus cabelos, ergui minhas sobrancelhas, fiz menção de que ia balançar a cabeça afirmativamente, baxei meu rosto e virei de costas para, acabrunhadamente, me retirar. Ouvi, então, uma música:
- Eu não mordo, pode ficar. Você também é bonitinho... Carla, muito prazer – aproximou-se e estendeu a mão direita.
- O prazer é todo meu... Carla – beijei a delicada mão, aquele paraíso de eflúvio – Thiago...
- Que pena, meu ônibus chegou... Tchau!
O meu impulso gritou outra vez.
- Perdão, mas não posso te deixar ir assim...
- E por isso subiu no ônibus?
- Exatamente... Posso ter o número do seu telefone?
- E por qual motivo eu o daria?
- Por gentileza te peço:
Não me tire esta companhia,
Não me tire esta beleza,
Não me tire esta pele macia.
Não me tire este eflúvio tão aprazível,
Não me tire esta poesia.
- Asterisco bolinha sete sete bolinha sete – escapou impressionado daqueles brandos lábios, caiu repentino na minha fértil mente. Quase tão impressionado quanto, escapou um tocar de lábios...
Que maciez indescritível; que beijo incomensurável! Aqueles lábios me levaram além de mim, juntos do abraçar daquele beijo imperpetrável. Era impossível largar-me dali, exceto por ela.
- Vai ficar, aliás, já está perigoso pra você, é melhor você descer.
- Perigo maior do que deixar fugir-me esta poesia? Amanhã é sába... - ela me beijou, e esse beijo manteve até atentar para a próxima parada.
- Anda, vem comigo!
Descemos nalguma periferia. Apesar dos outros sentimentos, o medo me alcançou. Ouvi outra música.
- Relaxa... Você tá comigo. - e como poderia eu desobedecer aquela voz? Antes que eu pudesse pensar em algo mais, chegamos à casa.
A casa não era grande, aliás, era humilde, pequena; muito embora fosse graciosa e bem cuidada.
- Não é muito grande, eu sei. Mas é que eu moro só, meus pais são do, e estão no, interior, então...
- É linda!
- Agradecida... Nós temos aqui três salas bem pequenas, um computador, um banheiro, cômodas básicas, eletrodomésticos essenciais e...
- E você.
- E eu... Olha, eu sei que parece meio rápido, mas eu quero que você saiba que eu sou uma pessoa direi... - bejei-a, abracei-a, amei.
Amamos.
Profundamente.
Levantei-me da cama para mandar uma mensagem ao celular da minha mãe. O sol não ia muito alto. Vi uns papéis e uma caneta em cima de uma mesa. Comecei a escrever.
Desculpe-me se não conheço você. Peço perdão se você tem nada a ver com isso. Entretanto, eu precisava dividir este milagre com alguém.
Meu Deus, ela está fritando ovos!
O louco são.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Minha flor, passarinho, meu amor
Flores do meu jardim
Não seriam assim
Desse jeito tão meigo teu.
Jeito desses que conquistam um eu -
Um eu bem teu -
De uma forma que flor seria tu,
Beija-flor seria eu;
Cuidando das delicadas pétalas tuas,
Sentindo esse perfume de Deus.
Engraçado,
Deus não te fez flor,
Fez amor.
E foi obrigado a criar um novo passarinho,
Mais prum ficarinho,
Chamado Beij’amor,
Ou simplesmente eu.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:46 PM.
Tiago Rodrigo de Almeida Coelho
Pedro Gurgel Moraes
O fim das folhas
O fim das folhas vai chegar.
A fome de palavras será o primeiro destruidor de textos, deixando os poetas, os escritores e os leitores famintos, forçando-os a se devorarem em busca de palavras.
Em seguida virá a peste de pseudoescritores, a qual será o segundo assolador textual; e ela será quem alienará o mundo de si mesmo, através de falsos escritores e de escritos falsos. E esse será o único conhecido em seu tempo.
Na seqüência virá o caos textual, cujo provocará grandes distúrbios na estrutura do pensamento de todos, fazendo todos os seres perderem a capacidade de organizar seus textos, lidos ou escritos.
Seguirá na ordem a guerra lingüística, na qual ter-se-á grandes desastres nas digladiações dos escritores, matando a maioria nesta batalha sem fim.
E, por fim, chegará a morte: findar-se-ão as canetas e os lápis, os meios de escrita e os papéis; morrerá a criatividade; acabará as possibilidades de leitura. Tudo há de ser escuro; opaco; seco; sem luz; sem oxigênio; feio.
O fim das folhas chegou.
O louco são.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Mãe, te amo
Eu posso ter perdido várias oportunidades
De dizer-te, minha linda,
Afinal, o tempo corre num único sentido,
Não posso retrocedê-lo
Para contar esse segredo
Cujo deveria ser desvelado todos os dias.
Atacou-me o ser hoje,
Especialmente na poesia,
O fato de que a morte chega assim,
Repentina.
E eu te amo.
E não posso mais perder outra oportunidade de dizê-lo.
Mais que isso,
Dizê-lo-ei todos os dias,
Pois jamais irei chorar por ter perdido a oportunidade
De falar-te desse amor, dia após dia.
Mas, sim, chorarei,
No dia d'alguma morte,
Por ter perdido a chance de conhecer
A pessoa nova que somos a cada amanhecer.
Em versos, em versos,
Em poesia.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Assim seguimos com mais um blogueiro de quinta!
Atualizado por Pedro Gurgel, às 6:35 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Estranheza de amantes
- Isso foi bom...
- E como foi! Mas eu não consigo deixar de sentir um pouco de estranheza.
- Eu entendo... Deve ser porque você a ama.
- Provavelmente, mas eu acho que você também o ama.
- Eu já disse que quem eu amo é você!
- Nós já discutimos isso. É estranho, no entanto o que nós temos é uma grande paixão. Bem grande por sinal! Mas, amor mesmo, você sabe...
- "Saber amar é saber deixar alguém te amar". É, eu sei... E o amor é livre né?
- Ele é livre e liberta - uma pausa - Você devia voltar pra ele. Ele é o único capaz de te amar como você merece e, além do mais, você o ama profundamente.
- E você devia voltar pra casa... - uma outra pausa - Mas só depois de fazermos de novo, pela última vez e de um jeito inesquecível!
- Vale a pena?
- "Tudo vale a pena se a alma não é pequena".
- "Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu". - alguns segundos - Você tem razão!
- Então me beija!
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Aquilo que não tem nome
Isso tudo que me dói aqui!
Isso tudo que me arde!
Isso tudo que me faz leve.
Isso tudo que me é bom...
Malditas palavras!
Fogem-me e escapam
Numa hora dessas!
Que raios é isso tudo o que sinto
E não cosigo explicar?
Tudo isso que acontece aqui dentro
Embora sem nome?
Aquilo que não tem nome não existe,
Não se pode pensar.
Mas se pode sentir!
O que seria?
Chamá-lo-ia de...
Talvez...
Amor.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Leia os outros escritores de quinta!
Mário Oliveira, o dono da Toca;
Thiago César, aquele que faz e repete;
Carlinhos Guto, o dono do Verde. (vide ao lado)
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:01 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Música de casamento
É quase um consenso internacional que, na festa do casamento (havendo uma, é claro!), a música de entrada e de saída dos noivos é fundamental. Aquele casal não era diferente.
- E quando a gente casar?
- Ah, meu amor, aí serão outros quinhetos...
- Que quinhetos?
- Por exemplo, depois da marcha nupcial, a música que vai tocar vai ser AQUELA música.
- Ah não! Essa discussão de novo não!
- Por quê?
- Eu já disse que essa música é muito antiga, já tá muito batida! Ela é do tempo da minha vó!
- E não deixou de ser bonita de lá pra cá!
- Não quero saber! Ela não vai e pronto!
Ela estava firme na posição dela. Ele pensou um pouco. Teve uma idéia.
- Hum... Também tem aquela outra...
- Você está louco?! Aquela ali é muito piegas! Horrível! Nem pensar!
- Mas... mas...
- Nada de mas! Não é não!
Aquela discussão estava difícil. Ele só encontrou uma saída.
- Ah é?! e qual você sugere?
- Até que enfim você perguntou! - ela parou, respirou fundo, pôs-se numa postura elegante e disse - Eu sempre quis entrar com aquela, DAQUELE cantor!
- DAQUELE cantor?! Pelo amor de Deus! Todos vão me esganar se eu fizer isso! Principalmente minha mãe!
- Hã?! Como assim?! O que que ela tem a ver com isso?! Você vai casar comigo e não com ela!
- Não começa!
- Tá, mas o que que tem em colocar a música DELE?
- O camarada canta mal, é poser, é pop e, além do mais, tem letras fracas.
- Assim não dá! Desse jeito é melhor não casar...
- E pra quê namorar se não vamos casar?
- É verdade..
- Viu? Ainda bem que...
- Então acabamos o namoro.
E assim se foi mais um casamento bem sucedido.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Feliz 2008 a todos! Que este ano seja de hospitais vazios e escolas cheias! E muito blog!
Também se achegam os escritores de quinta:
Mário Oliveira, o dono da Toca;
Thiago César, aquele que faz e repete;
Carlinhos Guto, o dono do Verde. (vide ao lado)
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:52 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Pedro Gurgel Moraes
Três partes de um casamento
Ela
A beleza naquela mulher era deslumbrante. O sorriso era sincero como os olhos da infância. Coração acelerado; respiração ofegante; turbilhão de pensamentos.
O amava. Isso era indiscutível. Mesmo porque era difícil não fazê-lo, afinal, romântico, boêmio como ele, nada mais justo do que amá-lo. Exceto por ele, outrora, ter se apaixonado por um outro alguém. Será que ele ainda a amava?
Independentemente disso, uma família faria dele, inevitavelmente, o mais amante. O melhor marido.
Era tarde demais para pensar nessas coisas. Seu pai já agarrara seu braço, as portas da igreja já se desatavam. Só restava caminhar para o futuro. Uma voz (ou pensamento) surgiu.
- Será?
Ele
A noiva demorava.
Em sua mente, tempestades de pensamentos. Em seu coração, metade euforia de felicidade, metade desespero e sofrimento aflito.
Tivera a sorte e o azar de amar a duas mulheres, sendo um amor iniciado anos após o outro. Mas quem foi que disse que o amor mede tempo? A máscara cuja trazia em suas expressões escondia bem sua segunda metade.
Aquela espera era sufocante, agoniante, quase agonizante. Ante todas aquelas pessoas, transformava tudo em nervosismo; assim era mais fácil. Mais fácil nada! Tudo era insuportavelmente difícil! E isso porque mal tinha seus vinte e cinco anos.
Por um lado, não queria fazer sofrer quem tanto ama, principalmente porque isso seria quase como jogar fora tudo o que sofrera. Num outro lado, queria acabar com aquela dor interminável de estar longe dos braços, abraços e beijos daquela moça.
De repente, não mais que de repente, uma voz ao seu ouvido (ou à sua mente) indaga.
- Sentar ou correr? Descansar ou viver? Estabilidade ou intensidade? Amar?
Ela
A noite era infinda. Apesar da luz acesa, tudo era escuro e inconsolável. Abraçada com seu travesseiro, chorava desesperadamente à sombra da solidão. O pérfido sentimento a traíra acertadamente, arrebatadoramente. Os olhos eram uma cachoeira interminável de desconsolo. O pranto, uma sangria oceânica. O soluço, fatal, como a dor miúda no peito. A cama já se encharcava.
A mãe acariciava suas costas delicadamente, mas como quem tentava arrancar a aflição do outro com os dentes. Nada podia ser feito, nenhum sentido básico acontecia ali. Apenas o aguçado e fino sentido de quem amou, pura e simplesmente.
Tentava sentir a mão da mãe. Lágrimas e soluços. Tentava pensar em coisas engraçadas. Soluços e lágrimas. Forçou-se a pensar naqueles que passam fome. Lágrimas e soluços. Desistiu de pensar. Sentiu mais. Lágrimas e soluços; soluços e lágrimas; lágrimas; lágrimas; lágrimas.
A noite já era madrugada. A madrugada, quase manhã. Não se sabe se foi um sonho desesperado ou um fim consolado, pois ela já não sabia se dormia. Mas ela o ouviu.
- Meu amor, eu não casei! Eu estou aqui sim, com você! Casado com o nosso amor.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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Mil vezes, eu sonhei
Ontem eu sonhei
Sonhei que me apaixonava mil vezes
Pela mesma pessoa
Sonhei que, mil vezes
Essa pessoa se apaixonava por mim
Sonhei que eu mergulhava
Tão fundo!
Que no sonho eu sonhei
Que mil vezes apaixonei
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
Esta poesia vai para a Imcompreendida, que me sugeriu um tema. Não escrevi o que aconteceu (ou sobre a idéia do que aconteceu), mas utilizei o tema. Sobre o acontecimento em si, essa eu vou guardar para a próxima.
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Estes foram os textos de mais um blogueiro de quinta.
(Sim isso é uma piada quanto ao de quinta categoria, mas também é porque nós só publicamos nas quintas.)
Assim, também se achegam os escritores de quinta:
Mário Oliveira, o dono da Toca;
Thiago César, aquele que faz e repete;
Carlinhos Guto, o dono do Verde. (vide ao lado)
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:52 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Um carnaval quase francês.
Na dança do descaso
Desse descante popular,
Cantarei mais um acaso
De um francês que soube amar:
- Me perdoa por favor,
A verdade vai doer:
És o meu grande amor,
Mas nascestes para sofrer.
É que ontem aconteceu,
Foi um belo homem que vi,
Era algum amigo teu,
Fazendo-me rir de ti.
Ele era forte e lindo,
Inteligente e sagaz,
Foi assim me seduzindo
Aquele nobre rapaz.
- Aquela flor que tu me destes
Era pouca e já murchou.
Estás mais p’ra Colombina
Do que eu p’ra Pierrot.
Pois me enganastes várias vezes
E olhe só o que aconteceu:
Sem ser feliz comigo,
Sofres com um amigo meu.
Que te sirva de lição
O quanto serviu à mim,
Que um baldado como esse
Passa longe de Arlequim.
Mas saiu chorando
O francês a desandar,
Pois na verdade estava amando
E essa dança foi cantar.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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São eles os outros blogueiros de quinta:
Mário Oliveira, o dono da Toca;
Cabeça, aquele que faz e repete;
Carlinhos Guto, o dono do Verde.
Para vê-los, lê-los e criticá-los, basta procurá-los em suas casas, ao lado listadas.
..."esses escritores de quinta!"...
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:24 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Feito Fênix
Ao longe alcança
Em mares de dança
Cantigas de criança
Em barcos de papel.
Navegando pelos mares dos sonhos
Renasce, não mais estranho,
O poeta de outrora,
O versificador fiel.
Dessonhante do possível,
Sonhador inexorável,
Acorda o velho andarilho.
Amante do eterno,
Vivente sem méritos,
Vem, feito fênix do amor, um recém-nascido.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos.
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O que? Como? Quando? Onde?
Um barco. Um barco surgiu no mar de grama. Um mar surgiu no mar de grama. Idéias surgiram num mar de grama. Porém, a necessidade do novo surgiu e a grama antiga foi retirada.
Sem custar um mar de grana, um mundo mudou. Pra bem além do mar de grama.
Mário Oliveira
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Há pessoas que pensam que suas casas são de primeira. Pobre deles. Nós, ao lado listados, sabemos bem que nossos blogs são de quinta...
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:11 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Arrumando a casa
Espera. Epera absurdamente muito. Já fazia um longo tempo desde a última que viu a sua casa. No começo parecia saudade, depois foi se revelando nostalgia, quando se deu conta, parecia um mendigo: sem teto; sem lar; sem refúgio; sem alento. Pior, bem pior, era o abandono da esperança. Correu, pois a espera ali era a sabedoria da ignorância do cego por opção.
Chegou em casa.
Tudo era sujo, empoeirado, descuidado, esquecido. Quase esquecido, exceto por uma mensagem: "Lave-me por favor". De fato a casa implorava por alguma atitude enérgica. É o que está sendo feito. Não só uma vassourada, ou lavagem física, mas uma reforma geral: nova pintura, novas janelas, novos amores, novos temores; só não será nova, por fim, a casa, que continuará sendo do Acaso.
Assim Ele voltou para casa. Não por saudades, ou nostalgias, e sim por amor. Por amor ao amor, por amor aos vizinhos, por amor aos amigos, por amor à casa, por amor ao amar.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos Mares dos Sonhos. (barco em construção)
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:25 PM.
Mário Oliveira
Poeira
Limpa sua casa inteira e senta na poltrona. Espera. Espera até demais.
Os meses passam e ele percebe a falta que os amigos fazem. Levanta-se, calça os chinelos e vai à procura. Chega à casa do amigo, aquela casa que ao acaso fora construída em um de seus terrenos. O dono, o amigo procurado, lá não está. A poeira encobre os desenhos, os relevos de cada parte. As teias de aranha são as atuais governantes desteaquele pedaço de esquecimento.
Espera. Espera mais que demais. Pega uma vassoura para limpar tudo, mas lembra que cada um é responsável pela própria arrumação. Chega mais perto da parede principal e escreve com o dedo na poeira.
"Lave-me, por favor".
Vistante alérgico à poeira.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:55 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Mudanças...
Respirei fundo naquela noite. Deixei que me atravessasse o corpo toda aquela brisa que vinha das falésias. Foi durante o breve momento de lembrança do meu amadurecimento e a minha tentativa de prever as mudanças que viriam, que o ano se passou...
No escuro doce e limpo, o perfume dos sonhos pairava disperso no ar. Murmurinhos se espalhavam por toda parte. Sonhos; desejos; vontades; satisfações; agradecimentos.
Futuro. Passado. Presente...
Assim, sem mais nem menos e tão repentino quanto um raio, o amadurecimento ficou para trás. A mudança começou a acontecer.
Ouviu-se, então, as explosões das bombas de esperança sobre as cabeças inertes. Eram diversas cores eclodindo da esperança: Azul; verde; vermelho; dourado; azul; roxo; dourado; esperança; saúde; paz; amor; perfume...
Ah! Como era aprazível sentir a suave fragância dos devaneios passados, presentes e futuros. Eram todos amenos, doces, suaves. Tudo nos poucos segundos os quais mergulhei no afável mar dos sonhos, onde senti a sutil sapiência dos céus, sem esquecer-me da rejuvenescente luz esplêndida do sol que vem através do vazio preenchedor, o infinito.
Então, dentro do mais encantador dos perfumes, senti no presente o futuro e o passado, ambos a limparem minha alma, fazendo-me nascer pela primeira vez. Fazendo-me morrer novamente.
Que tenhamos todos um magnífico ano novo! (atrasado ou não, o que vale é a intenção...)
Batizei meu ano passado de "ano do amadurecimento". Com motivos, é claro! E vejo neste novo ano uma grande chuva de mudanças. Pois que venham elas! Porque eu me sinto vivo. Vivo e preparado!
Abraços.
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O último texto do ano. A última coisa que vou dizer em minha casa neste ano, e parece-me que não há nada melhor do que dizer o que já foi dito. Este texto foi publicado no dia 07.01.2006, e fala sobre como seria o ano o qual ainda se faz corrente. Nesta fase de transição energética a qual estamos submersos é muito comum os desejos abarcarem nossas mentes. O mais incrível quando se escreve sobre esses desejos é que, depois, você os lê, e pode enxergar a força do pensamento.
Eu havia dito, no ano passado, que este seria o ano das mudanças, e vejam só: conheci, amo e amado sou pela Mulher Mais Bela; comecei a realizar meu sonho de ser professor, pois iniciei minha faculdade; trabalhei de carteira assinada e pedi a demissão (essa história rendeu-me bons textos e bons aprendizados); consegui uma bolsa remunerada para fazer o que mais gosto; melhorei minha escrita (apesar de ainda ter muito a melhorar); e, apesar dos contra-tempos, fiz amigos, enraizei antigas amizades, amei meus familiares, conquistei respeito e me fiz como eu sempre quis ser. De fato as mudanças aconteceram.
Desta vez, vejo ainda as mudanças, mas apenas no que faltou ser diferente. Descortino também um horizonte cheio de conquistas, como a conquista qual deve ser feita, todos os dias, a mulher a qual tanto amo; como a de conquistar, para a vida toda, trabalhos que vão mudar a cara desse país; como a conquista de dar às mulheres da minha vida (amante, mãe e avó) tudo, ou pelo menos algo deste tudo, que elas tanto merecem. Me aguardem, pois, se pensamentos podem mudar o mundo, veremos o quanto este mundo será diferente. "Seja a mudança que você quer no mundo." Mahatma Gandhi
"Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. E eu espero que um dia você se junte a nós, e o mundo será como um." John Lennon
Um ano novo realmente diferente, principalmente, ou melhor, unicamente, nos aspectos positivos. E, de todo meu coração, eu amo todos vocês.
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:25 AM.
Esse texto faz parte de uma seqüência de dois textos, sendo ele o primeiro. Esse texto foi publicado, pela primeira vez, no dia 05 de dezembro de 2005.
O império
Um homem sem amigos
Rapaz inteligente e de muita integridade. Homem honrado, amigo, paciente e, sobretudo, forte. Sufocou-se para ver a felicidade daqueles que o rodeavam.
Dor eterna no deserto da aflição.
Cada passo dado era como carregar uma pedra que sugava-lhe impiedosamente as forças. Mesmo assim, tinha de ajudar os amigos. Nada mais importava, tampouco importaria se o sofrimento fosse grande.
Angústia atroz encarcerada na garganta.
Pouco a pouco ia enfraquecendo, perdia o fôlego. A pedra o consumia cada vez mais, àquela altura já estava se arrastando. Tentava levar a última imagem a qual o couberam de enviar.
Morte injusta sob os concretos do egoísmo.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:43 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Continuando a série de republicações selecionadas, aqui segue uma das duas únicas poesias já publicadas nesta casa. Esse foi o primeiro post elaborado por mim, o qual veio com a intenção de dar uma introdução a casa. Se vocês olharem, à equerda, na parte superior, logo abaixo do errado nome "Casa dos casos", há uma parte da poesia, caracterizando-a como introdutória. Ela foi publicada em 12 Novembro de 2005, período em que eu já era "Um Aluno da Escola da Vida", porém, apesar de amá-la, ainda não conhecia, fisicamente - onde esse "físico" indica qualquer coisa ligada à cegueira da visão - "A Mulher Mais Bela.". Agradeço a todas e todos vocês, amigas e amigos, para as quais e os quais muito me dá prazer pôr aos olhos minhas antigas inocentes-ignóbeis obras: agradecido.
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Um conto de quem conta
Em um conto da vida,
Encontro um canto para me achar.
Em cantos da vida,
Conto contos para me revelar.
Para então,
Dar asas a imaginação
E voar longe da realidade cruel.
Para trazer a verdade fiel,
Ao povo sofredor
Que sofre por não saber o que é dor.
E como as palavras não envelhecem,
Aqui deixo o desejo que procede:
Contem este conto sobre cantos,
Para que, neste canto,
Muitos se encontrem,
Abram as asas e voem para a liberdade
A contar este canto sobre contos de quem conta.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:21 PM.
Bem, com havia dito, eis aqui um dos textos antigos desta casa. Esse foi o primeiro texto dela, publicado por Mário de Oliveira, um grande amigo meu. Esse texto foi escrito e publicado no dia 08/11/2005.
Tijolos de jujubas verdes e amarelas.
E os dias passaram muito devagar enquanto eu estava trancado na minha toca. O tédio consumindo cada célula do meu corpo, principalmente das minhas pernas. Foi quando decidi caminhar um pouco.
E caminhei, e caminhei, e caminhei.
Sentado numa pedra estava este cidadão chamado Pedro Gurgel, amigo de longa data. Os amigos sabem quando algo está errado. Então indaguei:
- Pedro, o que houve? Essa cara não combina contigo.
- Não sei nem como explicar. Vou tentar ser o mais direto possível: minha casa caiu.
- Caiu?
- É, caiu! Acho que estava muito velha, as rachaduras eram claras, evidentes.
- Entendo. Bem, acho que não vai adiantar muito sentar aí e não fazer nada sobre isto.
- E o que vamos fazer?
- Construir uma nova casa! Eu fiquei bom nisso, construí a minha com as minhas próprias mãos. Você, amigo, não sabe ainda como construir a sua. Mas com um pouco do conhecimento que adquiri, posso te ensinar.
A casa é uma representação das mudanças passadas por este cara que não era magnífico, mas soube encontrar o seu caminho nessa vida.
Só resta construí-lo com suas próprias mãos.
Atualizado por Mário Oliveira, dono da Toca.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 3:46 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Abraços a todos. Uma casa feita de jujubas verdes
Era oito de novembro de dois mil e cinco, uma casa tinha caído, desabado. De fato o dono dela não sabia como levantar sua própria residência, mas nada que um grande amigo, um irmão, não possa ajudar. Ele podia até não ser magnífico, entretanto se esforçou para aprender a encontrar seu próprio caminho.
- Pois é... Parece-me que faz bem mais de um século desde quando me mudei para este lugar. No entanto, apesar de pensar nesse "século", o cheiro da tinta ainda é fresca. A tinta ainda o é. Não há sinais de velhice, de cansaço. Acho que finalmente aprendi sobre algumas coisas da vida. Obrigado.
- E quem foi que te disse que precisavas agradecer-me? Tudo do que tu precisavas era de mais umas mãos e de um mestre-de-obras, afinal, consolidar jujubas verdes não é fácil. - o Amigo fez uma pausa como quem lembra de algo, colocando a mão no queixo e analisando a casa - Falando em jujubas verde, no final das contas, você não batizou sua casa de Jujuba Verde, nem tampouco batizou-a de Caca dos casos...
- Bem... É que eu cheguei a conclusão de que, como a casa já é constituída por tijolos de jujuba verde, preferi analisar outros aspectos dessa casa. Foi aí que entrou a história da Casa dos Casos. Todavia, ouvindo bem os seus conselhos, vi que um "a" cairia bem, acaso ele tropeçasse na frente do segundo "c". E foi por esses acasos que conquistei inúmeros amigos pelas redondezas...
- É, percebe-se que você progrediu muito e, principalmente, tem muito mais a fazer. De fato, te dar essa ajuda foi algo muito bom para nós dois. Parabéns a você, nessa data querida, por um ano de felicidades e muitos outros de vida. E um feliz aniversário para essa casa. - fez-se então uma longa pausa. Foi quando eles sentiram novamente o cheiro maravilhoso de tinta fresca da casa, sentiram, ambos, seus peitos encharcarem-se de um sentimento confortante e maravilhoso, quase eufórico. Os dois inspiraram profundamente e, enquanto espiravam, ouviram-me:
- Obrigado...
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
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Pois é, hoje faz um ano que moro nessa casa, e somente nessa casa. lugar onde recebo esses visitantes-amigos os quias são simplesmente espetaculares. Mais do que agradecido, sinto-me honrado pela visita de todos vocês. Aproveito esse momento nostálgico para deixar um profundo agradecimento ao Mário de Oliveira, amigo de longa data, dono da toca, o qual me ajudou a levantar essa casa quando eu, com meus míseros dezessete anos, ainda era um alguém sem caminhos : obrigado.
P.S.: A partir de hoje, vou republicar alguns textos antigos para que os que aqui freqüentam possam lê-los. Será uma espécie de homenagem à essa casa a qual tanto amo. Sempre que eu republicar algum texto, ou explicarei o porquê dele, ou, no mínimo, citarei a data da primeira publicação.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:23 AM.
Um palco do cotidiano
Cortinas fechadas.
Ela estava muito cansada, tivera um dia maçante. A noite adentrava em seus olhos de uma maneira tal que ela mal raciocinava. Uma longa piscada de olhos; um curto período de fraqueza; uma grave voz que acorda aos pés da casa. Seu amor chegara, com a mesma aura estranha do dia anterior, mas chegara. Isso animou-a um pouco. No entanto, sua animação logo foi interrompida pelas reclamações do amante, uma vez que o memso estava sentindo-se mal em detrimento do calor. Na realidade, muito provavelmente, de acordo com a fisionomia do olhar, o mancebo estava se sentindo sufocado e agoniado por algum motivo o qual não sabia explicar e pusera a culpa no calor. ''Eu preciso é de um banho", pensou o rapazote. Contudo isso não foi necessário, pois sua compreensiva amante armou uma rede na varanda, local mais ventilado da casa. Isso acalmou um pouco o garoto.
Deitados na rede coversavam apaixonados os reféns do cupido, uma falando empolgada do seu dia, outro com uma cara enjoada e com uma dor-de-cabeça embotante. Não demorou para que os olhos da pudica menina tornassem a pesar. Ela, já com dores nas costas, talvez por culpa do cansaço, decidiu dormir.
- Você quem sabe, depois não me venha reclamar de saudades... - respondeu o garoto se levantando da rede e pegando seus pertences para ir embora.
Ela o seguiu até o portão de saída e pergunto-lhe se viria no outro dia, horas antes de viajar.
- Não sei. Vai depender do meu humor. - foi estupidamente grossa a resposta.
Mas que diabos! que raios de pensamentos passaram pela cabeça dele para dar uma resposta tão burra?! Vocês hão de convir, leitores, que esse sujeito é um perfeito babaca!
Assim, a cara daquele anjo em criatura terrena não poderia ser diferente: decepção. E isso fez com que o golpe desferido ferisse mais quem o lançou: "Mais uma vez! Parabéns seu babaca! Dois dias consecutivos de você fazendo/falando besteiras antes de viajar. Dessa vez já era, vai acabar perdendo ela...".
Parece que a consciência veio à tona, não restou outra saída para o, agora mais que nunca, perdido apaixonado.
- Perdoe-me. Falei asneira!
- Você está muito grosso ultimamente...
- Eu sei... - não tinha mais saída. Faltavam-lhe palavras, algo que raramente acontecia. Raramente mesmo. Ele teve de engolir a saliva seca e espinhosa, com os olhos baixos.
Ela o amava. Isso era algo inquestionável. A recíproca não era falha sob nenhum aspecto. A resposta foi clara: beijos. "Não foi dessa vez! Graças a Deus!", era um óbvio lulante que ele jamais conseguiria viver sem ela, sorte dele ela ter tamanha compreensão sem ter essa reciprocidade constante.
Já que estavam ali, parados, aproveitaram para mais alguns beijos e cochichos de namorados. Tudo voltou ao seu normal, quase dentro do cotidiano. São palavras que fogem do cotidiano que o salvam. Que o crucificam. Mas quem, senão os aprendizes, haverão de saber quais fugitivos são inocentes?
Cortinas abertas.
Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:18 AM.
Padre Oada Otnas
Vivências de um homem
Nem só de sonhos vive o homem...
Ele acordou mais uma vez para ir trabalhar. Era cedo. Muito cedo. Tão cedo que sua esposa ainda dormia com o rosto mais angelical que se pudesse imaginar. Beijou-a na face, sorriu ao lembrar da noite de amor que teve e foi arrumar-se para mais um dia de conquista ao que é crucial à vida, e também à sobrevida. Banhou-se, pôs a farda e preparou o café da manhã para todos como de costume. Também come era habitual, saiu de casa sem ser visto.
O dia não foi fácil, mas ele conseguiu a conquista do dia. Esse foi o dia escolhido por ele para chegar mais cedo em casa e fazer uma surpresa à todos, filhos e esposa. Chegou antes dos filhos voltarem da escola. Encontrou sua belíssima amante à cama na brutal posição do animal de estimação, levando tapas e aos gemidos carnais-vicerais, tudo auxiliado pelo grotesco e covarde amante-traidor: negro, porte mediano, amigo de longa data. Do outro lado da cama, abafando de quando em quando os gemidos, a colocar seu prazer no que outrora foi uma limpa boca de anjo o segundo covarde: branco, porte médio, irmão mais novo.
Foi o segundo que percebeu o intruso. Todos ficaram estáticos. Mas ele fez sinal para continuarem. Foi o que fizeram. Pouco a pouco ele ia tirando suas vestes, uma peça de cada vez. Após tirada toda a roupa suada do trabalho, ele expulsou o irmão com um empurrão e tomou-lhe o lugar na cama, em seguida fez gestos para que o cretino fosse embora. Foi um prazer tremendo. Maior ainda foi o prazer de jorrá-la o líquido doente. Expulsou o segundo e repetiu os atos. Sua esposa continuava a gemer viceralmente. Gozou interminávelmente junto à ela.
Depois desse ato que considerou doentio, ele foi tomar banho. Aproveitou para se limpar completamente. Sentiu-se renovado. Respirou fundo, olhou para esposa a qual, ainda nua, olhava-o sentada na cama, nada disse e saiu. Foi falar com um amigo advogado para tomar os devidos procedimentos para o divórcio e aproveitou o caminho para pedir a reabertura da matrícula da faculdade abandonada. Atacava-lhe o espírito o antigo desejo de ser professor e mudar o mundo, o antigo desejo de mudar as pessoas. Pensou em Gandhi: "Seja a mudança que você quer no mundo.", voltou para casa, beijou as crianças, pediu perdão a esposa e anunciou-a do divórcio. Já era tarde da noite, todavia, de uma vez por todas, ele conquistou o que crucificava à sobrevida, ele conquistou o que de fato era crucial à vida.
...nem só de pão vive o homem.
Um exilado dos prazeres celestes.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:53 PM.
Padre Oada Otnas
Ela Vida-Amor
A noite era acinzetada, fria, completamente anuviada. Todavia ela trazia consigo um doce vento gelado para acariciar os seres no quarto. A luz ausente delatava o arrebatamento íntimo divino, em que os fluidos corpóreos se misturavam como que dois fossem um: abraçados; mergulhados um n'outro; soprando calmamente o fôlego persistente. Eternas mentes que inebriam-se de si no amor! Beleza do casal amante, tristeza dos animalescos inexoráveis.
O varão senta-se na cama ao lado da janela e, imediatamente nele, estava sentada a nobre e gloriosamente estreada Dama da Noite, aquela a qual, com sua leve inclinação do corpo, juntamente com seu rosto que mirava o além, de olhos fechados, e com o seu fino cavalgar, fez a noite suspirar no gozo humano. Eram voluptuosos movimentos em perfeita harmonia, feito a calma canção que o vento inda trazia. Assim a música avançou, tal qual a feroz cavalgada, cada vez mais intensa, forte, deslumbrante.
A delicada voz irrompeu o canto do vento, acompanhou-a a orquestra-chuva. Mais velocidade, mais feracidade, mais do outro necessidade; mútuos riscos na pele; macias películas epiteliais tentando entrelaçarem-se. Um sobe e desce infindável, fatal desejo de ir além do paraíso-jardim; estrondoso urro duplo e completo orgasmo-êxtase-total. Ainda enquanto bufavam, viram Deus:
- Vos foi dada a Minha confiança. Vós Me traístes na minha ausência. Amaldiçoados sejam por terem dado ouvidos aos conselhos do conhecimento sobre o os próprios frutos do conhecimento, pois foi assim que a si descobriram. A partir de hoje pagareis isso através do vosso próprio suor e fora deste lugar sagrado.
Um exilado dos prazeres celestes.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:32 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Corações Verdadeiros
Nós somos dois cabeças duras:
Por amor próprio e medo da gordura mental,
Não nos traímos.
Por orgulho e pelo chão das idéias,
Só permitimos nos amar.
Pelo medo de não acordar,
Vivemos um sonho.
Para não perder a vida,
Fazemos amor.
Pela não-solidão,
Somos um.
Juntos destruímos todas paredes,
Juntos rompemos todas estruturas,
Juntos acabamos os padrões.
Com as nossas cabeças duras,
Com os nossos corações.
Verdadeiros corações.
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
***
Post dedicado à mulher que faz meus dias felizes há oito meses.
Raquel, te amo.
"Mentir nunca. Falar a verdade e lutar pelas nossas decisões, sempre!"
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:03 PM.
Pedro Gurgel Moraes
As histórias de um garoto Charlie
O orelhão
Embora já estivesse acostumado a certas eventualidades (o feriado), sempre que as coisas não davam certo ele reclamava para si buscando um culpado, o qual, normalmente, era ele mesmo...
- Por que essas coisas só acontecem comigo? Nada dá certo, droga! - Charlie... é melhor parar de reclamar senão as coisas vão piorar. - - Pior do que está não dá para ficar! . Como as probabilidades indicariam, o tempo fechou e começou a chover imediatamente.
Charlie até pensou em gritar um palavrão, mas preferiu não fazê-lo para evitar que a chuva engrossasse ainda mais. Mesmo assim, provavelmente pelo fato dele ter pensado isso, a chuva engrossou mais. Para evitar transtornos piores, o garoto Alfor correu para baixo de um telefone público se protegendo um pouco da chuva.
- É. Dá pra piorar... - foi a primeira vez que ele se deu por satisfeito e aceitou sua condição. Respirou fundo, sentia a antiga sensação que lhe fazia companhia noturna: a solidão. Sentiu-se triste.
De repente o telefone toca. Charlie toma um susto e salta para a chuva. Ao se dar conta de que estava mais uma vez na chuva, corre novamente para dentro do orelhão.
O telefone não parava de tocar: tocava, tocava, tocava... A chuva também não era condescendente: engrossava, engrossava, engrossava. Depois de incessantes minutos de telefone-no-pé-da-orelha, Charlie decidiu atendê-lo:
- Alô!
- Charlie, a partir desse momento não largue esse telefone.
- Quem é que está falando!? Como é que você sabe meu nome?! - o coração de Charlie subiu à boca, digo, queria atravessar os ossos e a pele do peito, aliás, é a barriga que revira e mexe feito centenas de morcegos dentro de uma caverna minúscula.
- Calma Charlie... não precisa ficar assustado. Sou apenas um amigo à distância. - uma pequena pausa para o narrador respirar - Sabe que você sempre surpreende? quase todo feriado você vai à escola, vive chegando atrasado, é pouco conhecido... eu invejo você.
- Acredite estranho, isso não é nada legal. Mas eu tenho de ir, obrigado pela inveja dolorosa...
- Calminha aí rapaz... vai sair assim nessa chuva? Já estás quase todo molhado, e ainda quer se molhar mais? - o estranho do telefone tinha razão. O Alfor resolveu ficar.
- Eu tenho uma missão para você. - continuou o estranho.
- Agora torou dentro! Ainda tenho de ser seu agente de sei-lá-o-quê?
- É. A missão é simples você cumpre ela agora. Foi uma amiga que nos incubiu disso.
- Nos uma vírgula! Você!
- A missão é a seguinte: conte oito coisas sobre você.
Aquilo era estranho. Extremamente estranho. Porém, como a chuva insistia em não passar, o pobre garoto não teve escolha e, afinal, concluiu que não estava fazendo nada mesmo e o melhor era entrar nessa (vai que o cara é um psicopata e tem uma arma com a cabeça dele na mira). Ao pensar isso Charlie passou a olhar para todos os lados.
- Deixe-me ver... Sou azarado. Muito azarado.
- Que é isso Alfor? Você tem dois braços, duas pernas, olhos, voz, boca, nariz, língua, ouvidos, tudo em perfeitas condições.
- Perfeitas condições para as coisas darem errado: eu tropeçar, gaguejar perto da garota que gosto, ouvir o que não quero...
- Você é muito reclamão.
- Boa, outro defeito meu. Você me conhece muito bem, né?! Sabe até meu sobrenome...
- Que é isso, só te conheço um pouco, mas o suficiente para saber que você tem bom coração.
- É verdade...
- Tem saúde, perseverança, boas notas, ama poesia, sabe amar e, principalmente, sabe ser amado.
- Pronto! Missão cumprida. Você mesmo já disse oito coisas, e até mais se duvidar, sobre mim! Agora, não sei quem você é - nem quero saber - mas a chuva já passou. Obrigado pela companhia e TCHAU! - quase arranca o gancho do telefone.
Charlie saiu pisando forte. Não sabia o porquê, no entanto estava com raiva daquele cara. Carinha mais cara-de-pau, sai ligando para os outros sabendo tudo deles e sem nem se identificar, fica jogando missões subjetivas para descobrir o que já sabe, definitivamente um louco excêntrico.
Já sem ter no que pensar, ele pisou numa poça, esgorregou sem chance de reação e caiu de bunda na lama, ao mesmo tempo que um carro - daqueles que estão cheios de playboys - passa, buzina e espirra uma grande quantidade de água nele.
- É. As coisas podem piorar... - foi um pouco estranho, todavia ele se levantou rindo. E rindo foi até em casa.
***
Bem, essa foi a missão que a Fernanda, uma grande amiga minha, me passou. Para pasar o tempo recomendo esta missão - de falar oito coisas sobre si - para o Zeca, a Patrícia, a Nefertari, o Carlinhos, o Xisberto e priscila.
P.S.: se alguém não tiver percebido, é a continuação do primeiro conto...
Abraços à todos.
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:42 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Corações Verdadeiros
Nós somos dois cabeças duras:
Por amor próprio e medo da gordura mental,
Não nos traímos.
Por orgulho e pelo chão das idéias,
Só permitimos nos amar.
Pelo medo de não acordar,
Vivemos um sonho.
Para não perder a vida,
Fazemos amor.
Pela não-solidão,
Somos um.
Juntos destruímos todas paredes,
Juntos rompemos todas estruturas,
Juntos acabamos os padrões.
Com as nossas cabeças duras,
Com os nossos corações.
Verdadeiros corações.
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
***
Post dedicado à mulher que faz meus dias felizes há oito meses.
Raquel, te amo.
"Mentir nunca. Falar a verdade e lutar pelas nossas decisões, sempre!"
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:42 AM.
Pedro Gurgel Moraes
Dias quaisquer (?)
Não sei por que cargas d'água me deu vontade de ser sincero, pode até paracer clichê (e é), mas mesmo assim a revolta veio à tona.
Dia dos pais. Domingo foi dia dos pais. Feito um desses dias-de-alguma-coisa qualquer.
- E aí paizão? Tudo bem com o senhor? - já haviam alguns meses que não falava com o pai, talvez por mágoas, talvez por cabeça-durice.
- Tudo meu filho, e com você? - a voz estava animada, nem parecia aquele pai frustrado-frustrante de outrora. A amante estava fazendo-o bem.
- Tudo bem graças a Deus. Domingo, para onde vamos?
Conversa vai, conversa vem, chegou domingo.
- Oi pai. A bença... - beijo no lado esquerdo do rosto, abraço forte e a benção. Ser filho de pais separados nem é tão complicado assim, nem mesmo quando o pai está no terceiro casamento e com mais uma filha (que é adorável). - Tem presente não viu pai... - pensou em dizer que estava sem dinheiro, mas concluiu que seu pai poderia tocar naquele assunto chato dele ter pedido demissão do antigo emprego. Pela primeira vez, optou por calar.
- Que história de presente rapaz! Precisa disso não. - os irmãos, Diego e Samantha, já estavam no carro. A esposa e a meia-irmã deviam estar na casa do avô, local da comemoração do dia.
O filho falante resolveu calar, falou pouco, mas não ao ponto de alguém perceber que ele estava evitando dialogar. O pai continuava feliz. É, de fato a amante devia fazê-lo muito bem, sem falar do mar de rosas financeiro em que ele estava no momento.
A mãe acordou cedo, muito cedo. Foi trabalhar em pleno domingo, tinha de ir organizar um buffet do dia dos pais, afinal cliente é cliente. Mas apesar do dia, ama o que faz.
Mãe de três filhos, um dos quais morando sozinho há pouco tempo e funcionário do governo federal, outros dois, um na faculdade (pública federal) sonhando em se tornar professor, outra no ensino médio saindo para todas baladas. Todos bem criados pela mãe solteira, todos felizes. Orgulhos da mamãe.
A única filha solteira (e divorciada) da família, mora com a mãe que é viúva há 12 anos. Batalha todos os dias pela vida. Vive. É tida como a louca da família, a ovelha desgarrada, entretanto ama os que tem (filhos e mãe). É mulher de verdade, como homem nenhum consegue ser homem. Ensinou, da melhor maneira, aos que quiseram aprender: dando exemplo. Amou. Foi feliz. Foi vida.
Que Deus abençoe a todas mulheres deste mundo que vivem subjugadas na ótica de seres que sequer pensam ser algo ou alguém suficientemente parecidos.
O filho chegou mais cedo em casa.
- Mãe, te amo.
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:55 PM.
Pedro Gurgel Moraes
Dúvida final
- À Deus.
- Há Deus?
- À Deus não há outro Deus senão adeus "há Deus".
- Adeus.
- Há deus...
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:22 AM.
Pedro Gurgel Moraes
antônio
Morreu antônio Macedo.
antônio era um desses típicos rapazes do interior: honesto, um tanto quanto inocente, simpático e de bom coração. Chegou na cidade ainda jovem, fora lá morar com a irmã para trabalhar e estudar, ali no início da década de noventa.
A irmã de antônio não tinha dinheiro o suficiente para colocá-lo numa instituição mais privilegiada, mesmo porque era muito difícil uma escola que aceitasse um garoto da idade de antônio. Tão logo, foi necessário que ele entrasse numa escola pública, local onde ele conheceu Maria.
Apesar da idade, Maria era mulher feita, vivida. De tudo ela "manjava" um pouco. Ela gostou de antônio, nem ela sabia o que vira nele, mas gostou. Então aconteceu, antônio deixou de ser aquele garoto do interior e virou homem.
Soraia, irmã de antônio, logo pôs Maria para morar em sua casa e como viu que aquilo não daria certo, arranjou outra para eles morarem.
Maria engravidou. Antônio pouco a pouco ia ficando doente com bastante frequência. O esposo de soraia o levou ao médico. Não deu outra: AIDS.
Antônio chorou.
Guto, seu cunhado, também chorou. Ficaram ambos perdidos, sem chão. Correram para os familiares mais próximos.
Alguns dias passaram. Ninguém, exceto Soraia e Guto, foi visitá-lo. Teve que voltar a morar com Soraia.
Após alguns meses, percebeu que ninguém tinha coragem de visitá-lo além de sua prima e sua outra irmã.
Ele chegou a visitar sua antiga cidade algumas vezes, entretanto todas as portas fecharam-se de medo. Houve apenas um lugar que o recebeu bem: a casa da sua tia Cecília. Seus pais também não tinham coragem de tê-lo próximo e isto foi bastante doloroso.
antônio chegou a redigir algumas cartas para seus pais explicando-lhes que eles não pegariam a doença por cartas; estes documentos nunca foram respondidos.
Fosse na capital ou no interior, todos tinham medo dele. E, com ou sem medo, o tempo passou. E com o tempo ele adoeceu, mas não por consequência da AIDS.
Àquela altura nem mesmo Soraia e Guto estavam sendo visitados, acabaram por colocarAntônio numa quitinete. Todavia, brevemente antônio já estaria no hospital.
O telefone tocou.
- Dona Soraia?
- Sim.
- O "seu" antônio morreu. Sinto muito.
Soraia e Guto ficaram estagnados, não consguiam acreditar. A prima de Antônio foi buscá-lo. Encontrou seu corpo numa sala extremamente escondida do hospital do hospital, sobre uma velha mesa, estirado. Foi umas das visões mais terríveis já vista por aquela jovem: dezenas de móveis quebrados e amontoados sobre colchões antigos e rasgados, vários corpos espalhados e, bem ao centro de toda a podridão, seu primo. O último pedido de antônio fora que ele fosse enterrado em sua antiga cidade. Ninguém tinha coragem de levá-lo. Quem o levou foi a prima, juntamente do marido. No carro também foi Maria, sua antiga esposa.
Ao chegar na antiga cidade amada por antônio, ninguém teve corgme de carregar o caixão. Foi preciso que o esposo de Soraia chamasse na rua alguns desconhecidos.
Houve ainda algumas reclamações dos familiares de antônio, pois alguns não queriam ser enterrados ao lado daquele corpo doente. As vestes do Senhor esposo-da-prima foram escaldadas pela família do mesmo, que justificou-se com dizeres do tipo: "Não bastasse um defunto doente, esse louco ainda trás um vivo".
Poucas pessoas choraram. Poucas pessoas visitaram ou visitam antônio.
antônio mais cedo morreu, entretanto, a única doença que tivera foi o desprezo.
Que Deus abençoe os iluminados os quais repousam tranquilos em Vosso colo por confiar em Vós.
Um aluno da escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 6:32 PM.
Burrice
De uns tempos para cá estou ficando mais burro. Muito mais burro.
- Como?! Como assim cinco?!
- Calma rapaz... talvez você não estivesse bem na hora da prova.
- Que não tava bem que nada! Inglês macho! Inglês! Isso não existe! Eu é que sou burro! BURRO! Errei besteira!
- Já que tu errastes besteira, sabes que não és burro.
- Aí é que tá. O que me faz burro não é o fato de não saber, mas sim o fato de saber e não utilizar esse conhecimento no momento necessário.
- Você diz isso como se estivesse passado fome na Inglaterra por não utilizar o seu inglês...
- Pior que isso, era só prestar mais atenção no texto . Burrice medonha essa minha!
- É... de fato tenho de concordar. Você é burro.
- Finalmente você me entendeu...
- Mas o que te faz BURRO, SEU DESGRAÇADO, é a BURRICE de pensares que és burro! ESTÚPIDO!
Muito mais burro. De uns tempos para cá, estou ficando mais burro.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:39 PM.
Data de nascimento
Segundo a certidão, eu nasci no dia vinte e nove de janeiro de mil novecentos e noventa e oito (29.01.1988). Entretanto, acredito que eu tenha nascido no dia vinte e um de janeiro de dois mil e seis (21.01.2006), pois foi quando vi a minha primeira idéia realizada. Na verdade, era mais para sonho do que para idéia, todavia não seriam os sonhos os alicerces das idéias?
Pois bem, este era o meu sonho-idéia: uma garota loira, de olhos verdes com um toque de castanho, linda, inteligente, conservadora, tradicional, simpática e que soubesse amar e ser amada.
Tudo o que era abstrato fez-se real. Amei. Fui amado. Nasci.
Sinto-me pois uma criança: empolgado, fanfarrão, chocólatra, inocente, atrevido, sagaz, cheio de dúvidas e de anseios, dócil, amável, extrovertido e com a certeza da vida nos olhos.
Talvez, pelo fato de estar vivendo um algo do tipo idéia-sonho-real, eu esteja na Terra do Nunca e do Sempre e nunca venha a envelhecer. Tomara. Porque se assim o for, eu nasci de uma idéia e, portanto, feito Brás Cubas, só posso morrer de tal.
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Texto simples, porém sincero.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 9:25 AM.
Um telefone
parte 2
Pessoas de lá
- Não dá mais.
- Como assim não dá mais?!
- Por que não dá. Não te amo, nunca te amei. Você não é pra mim. - sai, pega as coisas e, mesmo sem ter razão, fecha a porta. Desta vez foi definitivo. Definitivo, feio e desolador.
Ela ficou parada. Parecia que o tempo tinha estagnado. Tudo estava a zero Kelvin. Um nó-caroço na garganta; alfinetadas no peito; o telefone toca.
- Alô, boa tarde! - perguntaram do outro lado.
- Quem é que tá falando?
- É Pedro Gurgel da Central de Atendimento do Banco. A senhora Fulana está?
- É ela, pode falar!
- A senhora está podendo falar no momento?
Aquela pergunta fora cruel. Ela não podia falar, talvez até quisesse, mas não conseguia. Finalmente sentiu alguma coisa. Parecia uma asia, um embrulho no estômago, como se mil morcegos voassem ao mesmo tempo fugindo dos mil martelos que soavam e ressoavam lá dentro. O estômago dava voltas e formava cada vez mais nós. Ela caçou a primeira palavra e disse:
- Não! É que eu estou meio asiática sabe?
- Sei... Haveria um melhor dia ou data que eu pudesse contatá-la senhora?
Ele sabia. Ela sentiu que ele sabia. E, mesmo sabendo, a única coisa a qual ele disse foi essa "educação pré-fabricada". O terror; o pânico; a solidão. A dor.
- Mês que vem! - Ela disse isso? Mas por que? Ela disse isso mas queria dizer nunca! Entretanto ela queria que fosse no mês que vem. Toda confusão subiu. O descontrole. A garganta foi a ponte que cedeu. A agonia. O berro. O choro. - Desculpa! - pediu desculpas. Sentiu-se egoísta por julgá-lo. No entanto sabia que ele falhara.
Sentou-se acanhada no canto da parede próximo ao telefone. Abraçou os joelhos. Continuou a chorar.
Ela não sabia porque. Não sabia nem quem era. Mas em outro lugar, talvez bem longe dali, ele sentiu o que ela sentia. Mas... Por quê? Como ele sabia o que aconteceu? Como ele sabia o que a torturava? Ela tinha de continuar a chorar. Foi no seu íntimo, olhou as opções, julgou a melhor e escolheu: Não Liga.
Mas quem não liga é ela ou ele? Ela é cliente e ele operador o são ambos vítimas do sistema?
Neste acaso, neste caso, são pessoas.
----------------------------------------------------
Morgana, sinto-me lisongeado por sua doce visita e, caso seja possível, dê-me o endereço de seus textos...
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 8:56 AM.
Uma ligação
parte 1
Pessoas de cá (real)
Hoje eu fiz uma ligação. Uma não, várias. Entretanto, houve uma a qual muito me chamou a atenção.
- Alô, boa tarde!
- Quem é que tá falando? - perguntou brutamente.
- É Pedro Gurgel da Central de Atendimento do Banco. A senhora Fulana está?
- É ela, pode falar!
- A senhora está podendo falar no momento?
- Não! É que eu tô meio asiática sabe? - a voz parecia assustada, trêmula, nervosa. Paro e penso. Entendi o que ela quis dizer. Entretanto as normas não me permitiam acalmá-la. (Desculpa? Talvez. Acho que errei).
- Haveria um melhor dia ou data que eu pudesse contatá-la senhora?
- Mês que vem! - um estampido. Minto, um berro. Um nó-caroço desatado na garganta; choro. - Desculpa! - e desliga o telefone.
Não sei porque. Não sei nem quem era. Mas em outro município, em outro estado, eu pude sentir aquela dor. Mas... Por quê? O que aconteceu? Que mal a torturava? Meu trabalho tinha de continuar. Fui no sistema, olhei as opções, escolhi a qual julguei melhor: Não Liga.
Mas quem Não Liga sou eu ou ela? Eu sou operador e ela cliente ou somos ambos vítimas do sistema?
Neste caso, neste acaso, somos pessoas.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:13 PM.
O Senhor dos Acasos
O segredo da Melancolia do Amanhecer
Um dia uma borboleta cruzou o meu caminho e me mostrou o quanto a vida é bela.
- Por que esta cara tão triste?
- Não é nada. São as decepções.
- Então é muita coisa. Sabe... muitos me chamam de "Melancolia do Amanhecer". Eles dizem isso com uma certa razão...
- Por quê?
- Porque na minha vida, primeiramente, fui uma figura feia, asquerosa e frágil. Depois, fechei-me para o mundo, fiquei apaática. Então, por último, me transformei numa das figuras mais belas dentre as quais vivem no mundo, adorei todas as flores e tudo o que é belo. O que tornou minha vida drasticamente poética, foi o fato de que descobri que viverei somente um dia. - parou e suspirou - O que mais me intriga nesse nome que me deram é o fato de que eu fui feliz a vvida inteira, desde a fragilidade e a apatia até a beleza final. Então, meu belo jovem, se quiserdes saber o meu segredo, ei-lo aqui: ame. - então ela voou, pousou numa flor e pereceu.
Um dia uma Melancolia do Amanhecer visitou a minha vida e me deu o seu segredo. Neste dia eu chorei. No dia seguinte eu conheci a mulher da minha vida e comecei a amar.
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Não gostei muito do texto. Mas, o narrador desta história não sou eu...
Abraços.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:44 PM.
O dono da avenida
Andava atento, com os ouvidos aguçados, pronto para detectar qualquer movimento mínimo nos matos aos lados. Nenhum movimento. Somente grilos. Finalmente chego em meu território. Minha avenida.
Claro, não poderia ser outro lugar. Aquele lugar onde sou rei, majestade. Filho da maior e melhor cozinheira da cidade, neto da avó mais carrancuda e respeitada do bairro, mais conhecido que farofa no Ceará: ieu, o rei da avenida.
Desabotoo a camisa, o vento sopra leve e suave trazendo-me seu frescor e empurrando feito uma capa minha velha camisa-de-botão. Penso que a cidade anda periigosa, mais violenta, mas não vejo porque ficar trancado em casa com medo do escuro, vivendo feito um semimorto, morrendo feito um semivivo. E, além do mais, há somente uma chave no meu bolso.
Um sujeito branquelo, magricela, sem camisa, com seus claros olhos envoltos de um vermelho e bastante arregalados me para. Ele balbucia algo incompreensível. Sou o dono da avenida, poderia até dar algum dinheiro a ele que, aparentemente era o que ele queria. Mas há somente aquela chave no bolso.
- Desculpa cara, só tô com uma chave no bolso. Fica pra próxima...
Não entendo bem o que se passa. É tudo muito rápido.
Morri.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:47 AM.
Chaves do tempo
- Quatro meses! Meu filho, são só quatro meses!
- Mãe, são quatro meses que podem me custar dois anos!
- Deixa de ser tão melodramático!
- Não me condene por viver em alguns meses o que você consideraria séculos.
Sem saber porque ninguém respeitava meus sentimentos, meu jeito de ser e minhas decisões, juntei coragem, amor e versos. Pedi demissão.
Para minha mãe era difícil aceitar que eu não podia agüentar mais três ou quatro meses naquele trabalho. Mas me era sufocante, eu andava apático, opaco. Opaco feito uma estrela apagada. Não sei bem o porquê, mas aquilo pesava.
Só sabe o peso da cruz quem a carrega. Todos devem carregar sua cruz. Entretanto ninguém tem obrigação de carregar a dos outros. Soltei a cruz dos outros.
- Você tem de mostrar pra eles o quanto isso está te fazendo mal. Pergunte a eles se o que eles querem é te ver triste, mostre-os que você não precisa tanto de dinheiro para ser o que você quer ser.
- Certo.
- Olha, as portas daqui estarão abertas. Se quiser, é só chegar.
- Muito obrigado!
- Que é isso! Como diria o poeta: amigo é pra essas coisas.
Talvez seja errado o que eu fiz, mas achei mais sensato fazê-lo. Os sentimentos são como o mundo sideral e o mundo subatômico, lá a geometria euclidiana não é o suficiente. O tempo se dilata.
- Amor, eu tô preocupada contigo.
- Por quê?
- Tu anda muito cansado, triste. Até comendo menos tu tá...
Pode-se viver em meses o que para muitos seriam séculos, basta a presença e/ou a ausência de alguns sentimentos. Foi assim que vivi uma eternida em cerca de um mês e meio. E foi amando que eu cheguei ao fim dessa eternidade.
Estou vivo. Encontrei as chaves do tempo.
- É bom ter minha vida de volta.
- É bom ter você de volta.
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Estou desempregado. GRAÇAS A DEUS!!!! Eu não agüentava mais aquele sofrimento, aquela agonia. Pedi as contas. d =D
Obrigado a todos que me apoiaram.
Abraços.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 10:24 AM.
Eu não cresci
Agonia. Sinto minhas pernas bambas, as mãos tremem, meu estômago permanece num revira-e-mexe maluco e inexplicável. Engulo a saliva seca e espinhosa.
Essa terrível sensação de angústia. Não sei se é por pensar no fururo, não sei se é por pensar no presente. Acho que é medo. É isso: Medo. Acabei de descobrir que sou uma criança, daquele tipo que não cresceu ao ponto de ser ''gente-grande''.
Ocorreu-me agora esta conclusão repentina porque senti minha fragilidade ante o mundo, enxerguei minha falta de maturidade, minha inocência. Me apaixonei. Amei e fui amado. Amo e sou amado.
Desde novo sempre quis ser "grande":
- O que você quer ser quando crescer?
- Grande. Adulto.
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De fato, é isso. Para alguma coisa, além de dar dinheiro é claro, serviu o meu atual emprego. Para mostrar a minha parte não adulta. A parte da agonia, é porque eu me sinto assim quase todos os dias, deve ser a pressão.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 11:52 AM.
Visita à Toca
Sem nada para fazer, com saudades de uma boa conversa, peguei minhas armas: caneta, papel e alguns versos, e resolvi dar uma volta. Decidi caminhar pelas estranhas ruas nos arredores de minha casa. Andei, andei, andei; nada. Pensei, pensei, pensei; nada. Veio então, feito um relâmpago sem tempestade, uma idéia: a Toca¹. Era isso. Já havia um tempo que eu não visitava a toca do meu velho e bom amigo.
- Bem, ele deixou o endereço aqui nas poucas cartas as quais ele enviou. Deixe-me ver... - Paro e olho as cartas. Bem, é nesta área mesmo, vou a pé.
- É mais ou menos por aqui... - Paro novamente e releio o endereço. Confirmo o endereço e sigo.
- Como... como assim "sem toca"?! Eu tinha ouvido falar que a toca tinha sido destruída mas... mas eu pensei que ela tivesse simplesmente sido abandonada, sei lá, umas férias dele. Talvez por isso ele não tenha aceitado meus convites de vir passar uns dias lá em casa... - Fico sem saber o que fazer. Então me aparece um homem segurando uma picareta.
- O senhor deseja alguma coisa?
- Bem, eu tava procurando um amigo mas parece que a toca dele foi destruída...
- Ah! O senhor deve tá falando daquele sujeito magricela que morava aqui. Muito estranho ele. Estranho e engraçado. Foi ele mesmo quem nos ajudou a destruir a casa dele.
- A toca.
- Que seja... ele arrumou as trouxas dele e saiu por aí. Deve estar vagando feito tantos outros.
- Meu Deus! É pior do que eu imaginava! Ele deve estar se esbarrando por aí com a Míseria, com a Solidão... Merda! Que bosta de amigo eu sou...
- Bem, senhor, aquela garota deve saber de alguma coisa. Tenho de ir.
- Oi... Você viu algum descabelado magricela com uma trouxa nas costas passando por aqui?
- Vi. Ele foi por ali. Uma amiga minha me falou. Ele precisa aprender muito...
- Todos precisamos... Muito obrigado! Desculpa não poder conversar com você, mas é que ele talvez nem tenha o que comer. Até. - E sai apressado.
- Até... É sempre assim. Eles tentando salvar uns aos outros enquanto eu, a Esperança, tenho de servir de alimento pra Miséria, pra Solidão, e pra muitos outros que ainda precisam de mim.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:28 PM.
Carros na estrada
Já havia algum tempo que não passava alguém por mim. Algum carro surgiu...
Não era grande demais, mas também não era pequeno. Não se via muito luxo, entretanto percebia-se que era aconchegante. Dentro dele havia um casal. Era casal normal. Normal, feliz...
- E mais essa!... O carro enguiçou!
- Como assim enguiçou?! Pensei que você tivesse conferido tudo antes de sairmos - revoltou-se a moça.
- E conferi. Tomei todas as precauções necessárias. Sei lá o que pode ter acontecido.
- Ah!, dá um tempo! - abriu a porta do carro e bateu com força e, bufando, saiu pisando-me forte.
O rapaz, agoniado, correu atrás dela.
- Amor... eu conserto rápido.
- Eu preciso pensar! Preciso de tempo!
- Mas pensar?! Como assim pensar?! Pensar sobre o que?
- Sobre mim, sobre você... Sei lá! Me dá um tempo...
- Como assim tempo?! Que história é essa?! o tempo é agora. É tudo ou nada. - foi a vez do rapaz se revoltar.
- Então, nesse caso, é nada.
- Então... isso é... o fim? - era como se eu o tivesse engolido.
- Se você o diz... - concluiu a garota enquanto dava as costas e continuava a caminhar só que, dessa vez, calmamente. Tristemente.
O rapaz voltou triste e desolado para o seu carro. Sentou-se encostado na roda. Chorou. Ao que me parecia, era o triste fim de uma longa jornada. Mesmo o céu - que há muito estava arisco e quente comigo - chorou. Tão rápida quanto o fim daquela jornada, tão fria quanto o pranto do céu, a noite caiu. E o jovem, que era quase homem, mantinha-se ali: sentado, confuso, chorando, perdido em devaneios.
Foi quando, para minha surpresa, eu sinto um outro carro me percorrendo. Aliás, não era um carro. Era um Fusca. Um Fusca dócil, jovem - isto é: conservado - e simpático como somente um fusca poderia sê-lo.
- Ôpa! Precisando de ajuda companheiro? - indagou o ocupante do banco dos passageiros, haviam dois dentro do Fusca.
- É... mais ou menos. - respondeu o rapazote.
- Quer carona ou quer que a gente empurre? - insistiu o homem.
- Tanto faz.
- Resposta errada! Eu perguntei se você quer um empurrão ou carona, tanto faz não é uma opção. - e antes que o rapaz pudesse abrir a boca, ele continuou - Mas quem diz isso só tá precisando de um empurrãozinho.
Os dois homens desceram do carro. Eram ambos como o Fusca: dóceis, jovens e simpáticos. Um entrou no carro do rapaz, o outro, empurrou. Segundos depois o carro já estava funcionando. E, sem mais nenhuma palavra, eles enfiaram o pobre mancebo no carro e se foram.
- É! Só me resta buscar a minha felicidade. - disse meu garoto quando se despediu de mim.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:15 AM.
Óculos escuros
- O que diabos é isso na tua cara?
- São óculos.
- E por que você tá usando?
- Ando com a vista um pouco cansada, sempre a mesma coisa... E, ainda por cima, um pouco míope também. De fato, não ando enxergando as coisas muito bem, as vezes elas ficam um tanto embaçadas.
- Que nada! Isso é psicológico...
- Se você soubesse a dor de cabeça que isso me dá...
- O oculista lá disse mais alguma coisa?
- Confirmou minhas suspeitas.
- Quais?
- As quais diziam que a luz faz muito mal aos meus olhos.
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Ambíguo? Talvez.
Estou usando 0,75° no direito e 0,25 no esquerdo e, segundo o oculista, tenho astigmatismo e um pouco miopia.
P.S.: Ele se impressionou de eu não ter percebido isso antes.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Amante da mulher mais bela.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:34 PM.
O Senhor do Acaso
O predador mais desejado
Em preto, sob uma leve noite nua, alguém andava ignoto. A passos firmes e rápidos, ele não parava. Embora mantivesse a "boa educação" através de seus "com licenças" e "obrigados" riscava-se por entre as pessoas tentando ser minimamente percebido. A casa não era grande e, no entanto, o rapaz persistia em caminhar rápido.
Enquanto o mancebo tentava não perder o ritmo das largas passadas, doces olhos o perseguiam sem que desse tempo de perdê-lo de vista. Como um caçador à espreita da presa, um inigulável par de olhos castanhos mantinham-se presos nele.
Foi assim que, sem perceber, o jovem perdeu mais uma chance de conhecer um outro alguém. Alguém o qual poderia ter se tornado um grande amor. Fosse como fosse, o que importava era trabalhar bem, pois, quer ele quisesse ou não, estava lá para isso.
Então, como em todas as festas, a cortina aveludada azul, quase negra, cobriu o céu sem lua, acabou o tempo quase que completamente determinado. A caça que, amorosamente, esperava ser atingida, teve de fugir. Assim, o predador quase decepcionado suspira:
- Quem é aquele garoto tão belo?
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:43 PM.
Prisão
Já me encontrava encarcerado há dias. Me sentia só; preso; alienado do mundo. Olhei então meu reflexo na água da pequena tigela de alumínio que estava na minha frente: eu estava sério. Tentei sorrir; não consegui. Meus lábios não me obedeciam. Por mais que eu insistisse em tentar mexer os lábios e forçar um sorriso, meu reflexo mostrava-se imutável. Não sei se a culpa era da prisão, das grades, da solidão ou, ainda, minha.
Carregando comigo dores em mais dores, os dias iam se arrastando. Doendo, trucidando, assassinando o assassino. Era a prisão. E ela doía.
Sugando-me todo o oxigênio, as noites se eternizavam carregando-me em minha agonia. A saliva era grossa, espinhosa. Eram as grades. E elas sufocavam.
Debatendo-me dentro de mim envelheci. Com dor, ardor, terror. Ratos, percevejos, pulgas e baratas. Era eu. E eu me prendia, me encarcerava...
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Não gostei muito desse texto. Mas ele é fruto meu, portanto, mediante todos os meus filhos, ele também tem o direito de nascer, crescer e se criar nesta casa.
P.S.: Quanto à série " o guerreiro das rosas" ela deve continuar num outro site o qual criarei em breve.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:52 PM.
O Senhor do Acaso
Eu gosto quando as coisas vêm. Principalmente quando elas vêm sem avisar; chegam de surpresa, sem pedir licença. É claro que, muitas vezes, tais surpresas atrapalham...
- Ei, quando tua aula acabar, eu quero falar contigo. - disse ele tentando preparar suas palavras.
- Tudo bem, eu também queria falar com você. - respondeu a garota sem saber o que a aguardava, claro que, para ela, não seria nada demais.
A aula da escola terminou. A conversa, começou.
- Bem... pode falar. - ela rompeu o silêncio com sua doce voz.
- Desta vez, pela primeira vez, eu gostaria de falar sem interrupções, por favor. Foi difícil´. Muito difícil. Mas já me decidi. - começou sem mais arrodeios.
Ela concordou com a cabeça. Ele pode ver aqueles belos olhos verdes um pouco assustados, mas ele não podia amolecer novamente; assim, fez-se um homem firme.
- Não dá mais para eu agüentar. Eu acredito que já tenha me desfeito de muitas coisas ao passo que, por sua vez, você não faz o mesmo. Primeiramente que você não quer contar para seus pais sobre o nosso namoro, o que dificulta muito o nosso relacionamento. Além disso, você passa por mim e sequer cumprimenta aqui na escola. Nesse ano você vai ter de estudar muito para passar em medicina, e mais ainda para não abandonar esta escola. Você deixa de sair comigo para sair com suas amigas, não que isso seja errado, mas você quase nunca sai comigo. Então, será quase impossível manter um relacionamento que seja, pelo menos, saudável com você. Dói. Dói muito. Mas não vejo outra saída senão acabar o namoro. - foi um choque. Para ele porque nunca em toda sua vida ele havia sido tão firme. Para ela porque, por mera obra da coincidência, seria exatamente naquele dia que ela ia contar para os pais que tinha um namorado.
- O que você queria me dizer? - perguntou-lhe o rapaz vendo um olhar de decisão nos olhos da garota.
- Não era nada demais. Uma besteira qualquer. Deixa pra lá. - e com isso ela tomou uma, ou talvez mais do que uma, decisão.
Dias depois ele descobriu isso. O que aconteceu, não se sabe ainda. O que se sabe é que ele vai lutar para desfazer esse desastre poético, tornando-o mais poético ainda.
Destino? Azar? Sorte? Mais uma das minha façanhas? Por favor, se souber, me diga.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:04 PM.
O guerreiro das rosas
parte 3
Meu cavalo parecia movido pela mesmo instinto o qual me instigava a avançar para aquela batalha. A cada cavalgada minha pele e meus músculos tremiam para cima e para baixo. Apertei meus dentes; senti as têmporas latejarem como nunca; o sangue fervia no meu rosto. Os guerreiros me viram e arregalaram os olhos, uns fugiam desesperadamente, outros preparavam-se para me atacar.
Os homens comuns são bastante curiosos quanto ao rancor e o ódio: podem se odiar mortalmente e guardar um rancor estupendo, mas quando se põe suas vidas em risco, estes sentimentos somem. Nem que por um instante, mas somem. Ali não podia ser diferente. Todos me temiam, todos me atacaram. Felizmente eles não o fizeram ao mesmo tempo, uns por honra, outros por medo e, muito raramente, certos guerreiros não me atacavam por respeito. Pude constatar isso em cada olho que me encarava.
Tenho certeza que, caso alguém me olhasse de longe ou de cima, veria um mergulho do cavalo negro. Era lindo: ele trotava feroz e velozmente; curvava um pouco seu lombo inclinando seu cavaleiro para frente; baixava a cabeça, mas mantinha seus olhos fixos para frente; então, feito uma pedra gigante que quebra a queda d'água de uma cachoeira, os guerreiros se afastavam com medo como quem abre uma passagem de última hora em meio a um tumulto. Assim, finalmente o primeiro infeliz me atacou. Arremessei longe sua espada com meu escudo ao mesmo tempo em que enfiava a ponta da lança na garganta do segundo e, sem tempo para pensar, retirei a lança e bati o cabo dela no oho do primeiro que caiu desmaiado. Meu sangue parecia borbulhar na cabeça, mas eu não podia parar. Soltei a lança e peguei uma espada que estava embainhada no cavalo que, só então, eu percebi estar lá.
Num golpe, cortei três gargantas; em mais um, perfurei um peito. Perdi, naquele instante, a conta de quantos matei; já agia completamente sob o instinto de guerreiro quando, inexplicavelmente, tudo ficou escuro. Senti meu corpo mole cair sobreo lombo do cavalo que, por sua vez, estava descendo suas patas dianteiras do ar. A última coisa da qual me lembro foi do cavalo negro recomeçar a mergulhar na multidão forte e ferozmente como somente ele sabia fazê-lo.
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P.S.: Talvez eu mude a freqüência de atualizações deste conto. ( Questão de criatividade)
Abraços.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:46 PM.
O que temos
A dor de cabeça aumenta.
- Ai mãe, tá doendo!
- Não temos remédio.
A cama pensa atrapalha a coluna, o sono, os sonhos.
- Ai mãe, tá doendo!
- Não temos outro lugar para dormir.
As mazelas do submundo banhado pelo esgoto agridem o corpo. Feridas.
- Ai mãe, tá doendo!
- Não temos médico.
O preço do pão aumenta; o tamanho, diminui.
- Ai mãe, tá doendo! Tá doendo muito... - lágrimas.
- Não temos comida.
Não somos. Não temos. Não comemos.
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Sinto-me invadido por um sentimento de revolta. Ficar parado não resolve. Não tenho tempo para chorar; o mundo não pode esperar.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:29 PM.
O guerreiro das rosas
parte 2
Senti que a hora da guerra já havia passado, puxei as rédeas. Pensei no que realmente aquele brasão representava. Lembrei-me então de quem era aquele velho. Era meu mestre. Uma lágrima escorreu em meu rosto.
Bateu-me uma forte dor no peito. Senti vontade de cavalgar. Cavalguei seguindo o leito do rio. Busquei meu mestre; não o encontrei. Percebi que minha memória confusa estava errada quando disse-me que aqueles guerreiros lutavam sem saber porque o faziam, na verdade, eles eram os inimigos dos que faziam a guerra e, na maioria das vezes, buscavam paz, felicidade e repouso no amor. Todos os guerreiros tinham um discípulo, e ele substituía seu mestre quando o mesmo encontrava o que procurava. Era o meu caso. Lembrei-me também do quanto esses guerreiros são temidos. Parei de cavalgar. Senti mais lágrimas no rosto agora encharcado.
Senti-me um pouco curvo. Talvez fosse o cansaço, a fadiga. As feridas latejavam. No entanto, percorreu-me no corpo uma vontade de lutar, de parar aquela guerra.
Levantei-me; ergui a lança; subi as mãos com as rédeas e o escudo. Fui, decididamente, à guerra.
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PS.: Este conto será constantemente publicado, no entanto eu continuarei a lançar outros contos independentes a cada duas publicações de O guerreiro das rosas , ou seja, a próxima publicação será diferente.
Abraços.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 1:19 PM.
O guerreiro das rosas
Acordei no meio de uma guerra: espadas se batiam; homens gritavam; cavalos trotavam. Não entendi muito bem o que se passava quando, ao reparar nos trapos os quais vestia, percebi que não era um cavaleiro ou um soldado.
Eu estava vestindo peças de panos rasgados, eram rasgos largos que revelavam grandes feridas em mim. Era tudo muito confuso. Não me entendia muito bem. Uma das poucas coisas que ainda pude perceber foram as armaduras dos guerreiros que se digladiavam. A maioria estava vestida de grandes e pesadas armaduras, mudando apenas os elmos que, quando não eram prateados com chifres laterais, eram dourados com uma crista negra plumada em cima. Estes eram os inimigos: os prateados e os dourados.
Mal pude terminar de me levantar e,quase que instintivamente, peguei uma espada e agarrei um escudo. Fui atacado. Defendi-me não sei como. Então, nesse mesmo instinto de sobrevivência, empurrei a espada do homem que me atacava e empurrei-lhe a espada na garganta desprotegida. Comecei então a correr desesperadamente para longe de tudo e de todos. Tudo parecia longe. Tudo estava enlameado de sangue, eram corpos sobre corpos. Esquivei-me ainda de dois ou três guerreiros e corri.
Corri até chegar a uma grande árvore que estava próxima de um rio.
Ao me distanciar o suficiente, pude enxergar melhor a horrível cena desumana. Eram uma multidão de homens, uns de frente para os outros. Brutalidade, sanguinolência, dor. Berros. Então senti meu pé esbarrar em algo. virei-me para olhar. Era um corpo aparentemente morto. Tentei sentir a pulsação do corpo inerte, de fato estava morto.
Ele vestia uma armadura diferente, suas vestes eram completamente negras, mas não um negro qualquer, era um negro reluzente, bonito. O escudo que jazia ao seu lado trazia também um diferente brasão grande, em alto relevo e centralizado. Era um coração com uma rosa perfurada nele. Algo na minha memória anunciava que esse era o lema dos guerreiros que nunca sabiam porque guerreavam, eles simplesmente o faziam, e nunca ao lado de algum dos reinos os quais lutavam. Dizia-me também essa doce memória que eles sempre procuravam algo o qual não sabiam o que era.
Cai em mim.
Retirei toda a armadura do homem. Vi que ele era alguém já de cabelos grisalhos. Pareceu-me em paz. Percebi que o guerreiro encontrara o que procurava. Era um rosto muito familiar. Contemplei durante algum tempo aquela face, então, sorri e levei-o ao rio. Consegui colocá-lo numa tábua que estava presa em algumas pedras do rio, depois deixei seu corpo seguir o leito daquelas límpidas águas.
Após esse cerimonial fúnebre, pude perceber a presença de um forte e belo cavalo negro que bebia as águas do rio. Vesti então as armaduras. E, para minha surpresa, elas couberam perfeitamente. Peguei a lança que estava ao lado do escudo, vi que ela tinha o cabo completamente negro e, um pouco antes de chegar a ponta, uma espiral de ouro. Segurei bem o escudo e assobiei para o cavalo que, inexplicavelmente, entendeu o chamado e chegou até onde eu estava. Montei no cavalo e firmei minha lança. Senti que já sabia lutar. Com a mão que pertencia ao braço do escudo, segurei bem as rédeas. Bati os pés no cavalo.
Fui à guerra.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:24 PM.
A música começa...
De repente chega essa vontade de chorar. Os olhos enchem-se com lágrimas duma vez, assim, sem mais, nem menos. O coração aperta; afina; emiudece; dói. E, não mais que de repente, a música acaba.
E, mais uma vez, a música começa.
A tristeza volta. Mas, desta vez, não está arrastando tudo. Ela está apenas estagnando a minha alma de uma maneira calma, dolorosa. Em vez de corroer, me dá pontadas. No entanto, não são pontadas de espada, são de alfinetes.Alfinetes porque eles furam meu coração fazendo a pressão do sangue jorrar para fora de uma maneira estupenda; atroz; excruciante. Fazendo-me querer que o coração
exploda, fazendo o coração querer explodir...
Assim desse jeito, finalmente, a música acaba.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:40 PM.
Mudanças...
Respirei fundo naquela noite. Deixei que me atravessasse o corpo toda aquela brisa que vinha das falésias. Foi durante o breve momento de lembrança do meu amadurecimento e a minha tentativa de prever as mudanças que viriam, que o ano se passou...
No escuro doce e limpo, o perfume dos sonhos pairava disperso no ar. Murmurinhos se espalhavam por toda parte. Sonhos; desejos; vontades; satisfações; agradecimentos.
Futuro. Passado. Presente...
Assim, sem mais nem menos e tão repentino quanto um raio, o amadurecimento ficou para trás. A mudança começou a acontecer.
Ouviu-se, então, as explosões das bombas de esperança sobre as cabeças inertes. Eram diversas cores eclodindo da esperança: Azul; verde; vermelho; dourado; azul; roxo; dourado; esperança; saúde; paz; amor; perfume...
Ah! Como era aprazível sentir a suave fragância dos devaneios passados, presentes e futuros. Eram todos amenos, doces, suaves. Tudo nos poucos segundos os quais mergulhei no afável mar dos sonhos, onde senti a sutil sapiência dos céus, sem esquecer-me da rejuvenescente luz esplêndida do sol que vem através do vazio preenchedor, o infinito.
Então, dentro do mais encantador dos perfumes, senti no presente o futuro e o passado, ambos a limparem minha alma, fazendo-me nascer pela primeira vez. Fazendo-me morrer novamente.
Que tenhamos todos um magnífico ano novo! (atrasado ou não, o que vale é a intenção...)
Batizei meu ano passado de "ano do amadurecimento". Com motivos, é claro! E vejo neste novo ano uma grande chuva de mudanças. Pois que venham elas! Porque eu me sinto vivo. Vivo e preparado!
Abraços.
Pedro Gurgel Moraes
Aluno de uma escola da vida.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:31 PM.
O império
Um homem
Pés corriam bruscamente. O mundo que o pertencia era, paulatinamente, atirado para trás. A massa encefálica e a grotesca forma ajustavam-se perfeitamente naquela centelha de pensamento: a fuga. Mãos não se encontravam; pés e idéias, também não. Olhares desesperados para trás.
Palmas nos joelhos; olhos esbugalhados; respiração bufante. Lágrimas e suor se misturavam, se confundiam. Dentre mil sentimentos, um reinava.
A dor.
Ele já corria há dias. Tornava-se insustentável, insuportável, manter a dignidade e a integridade. E, cada vez mais, o sufocavam acusando-o de conservador, de intrasigente.
- Você é um quadrado! Um cabeça fechada! Acha que as pessoas são inocentes e quer acreditar que não estamos no meio de uma guerra! E fica aí, fingindo que é feliz nessa sua vidinha de merda!
- Prefiro continuar com a minha cabeça quadrada, na minha estupidez inocente, vivendo a felicidade a qual vós invejais. Batizem-me daquilo que vos convier! Me chamem do que quiserem! Pois permanecerei nessa minha vida medíocre, em vez de me tornar inconseqüente.
Desde então ele fora perseguido, dia após dia. Feito um animal, fora caçado. Feito algoz, tivera sua cabeça a prêmio.
Foi encontrado semivivo acima dos concretos do egoísmo.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:08 PM.
Lamentavelmente, bem ali.
O tempo passou mais rápido do que aquelas pernas podiam agüentar. Como já era esperado, elas cederam. Assim, caíram sentados naqueles bancos de bar da noite: o velho encurralado e seus companheiros de queda.
E foi, com o terno amor de então, que um passou a acobertar os sinais de velhice do outro. Fosse em textos, fosse em falatórios. Um cobria o outro exaltando o belo da paisagem que os rodeava. Belo o qual somente eles conseguiam enxergar.
Lamentavelmente, bem ali, ainda está o velho sujeito: sentado; calado; encurvado; talvez lendo; talvez pensando. Ainda lá, se encontra o ultrapassado varão a fingir que é alguém tomando um café.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 4:25 PM.
Estupro Mental
Estava sentado num banco de um shopping: a caneta não parava. O som berrante nos ouvidos nus estupravam a mente ociosa: caneta; papel; idéias. Um turbilhão. A caneta não parava.
O mundo berrava. Não via. O mundo enlouquecia. Não ouvia. O mundo se destruía. Papel. Caneta. Som. Estupro anárquico mental. O papel não parava.
Riscos estrondosos e ensurdecedores. Na escrita em velcidade absoluta, loucura plena. As idéias estupravam a mente com uma rapidez avassaladora que arrancava os neurônios. Bombardeio literal; explosão atroz na massa branca e cinzenta; o mundo acabava.
Idéias. Caneta. Papel.
Não parava...
Atualizado por Pedro Gurgel, às 2:35 PM.
Leitura ocular
Quadros rasgados, jarros quebrados, pratos no ar. Socos na parede, chutes nas portas, arremesso de madeiras ornamentadas. Sofás de cabeça para baixo, camas reviradas, televisão suspensa nas mãos. Um estrondo de destruição. Dor.
Num canto de uma sala, algo ainda inteiro. Inteiro, em pé, firme. Dentro dele, na figura mais bela, está o âmago da dor. Ela
E, num ímpeto de fúria, ele agarra bruscamente o objeto. Estilhaçar no bruto concreto. Dor. Do porta-retrato caiu o vivo papel a olhá-lo. A saliva sufocava-lhe o peito. Dor. Dor. Dor... Um caroço na garganta. Um berro.
Liberdade.
Então, nada mais foi visto naqueles brilhantes olhos castanhos.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 8:39 PM.
Quase um palimpsesto
Perto demais
Um corte curto; um cabelo vermelho; um andar de dona de mim; um leve sorriso no canto da boca; um olhar penetrante, firme, sedutor. Era ela.
Eu não podia, não conseguia, tirar os olhos dela. Simplesmente não conseguia.
Uma rua; um carro; um acidente; um amor.
Então é isso, simplesmente não conseguia tirar minha mente dela. A filha das flores.
- Olá, estranho!
Quem és? Imploro, por favor, me diga... quem és?
* texto inspirado no filme Closer
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:12 PM.
O império
Um homem sem amigos
Rapaz inteligente e de muita integridade. Homem honrado, amigo, paciente e, sobretudo, forte. Sufocou-se para ver a felicidade daqueles que o rodeavam.
Dor eterna no deserto da aflição.
Cada passo dado era como carregar uma pedra que sugava-lhe impiedosamente as forças. Mesmo assim, tinha de ajudar os amigos. Nada mais importava, tampouco importaria se o sofrimento fosse grande.
Angústia atroz encarcerada na garganta.
Pouco a pouco ia enfraquecendo, perdia o fôlego. A pedra o consumia cada vez mais, àquela altura já estava se arrastando. Tentava levar a última imagem a qual o couberam de enviar.
Morte injusta sob os concretos do egoísmo.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:59 PM.
O viajante
Um olhar brando, uma mente tranqüila, um corpo leve. Uma manhã de fino sol.Em alguma rua perdida na urbe, passos sutis contra o sublime soprar dos ventos. Assim caminha o velho peregrino de pouca idade nas calçadas da vida.
Em olhos embriagados de lágrimas, pupilas dilatavam. Na mente abstrata, solta do real, universos eram descobertos. Com o corpo mais uma vez solitariamente acompanhado de seu pensamento, aquele velho rapaz podia sentir-se a voar.
Finalmente, os olhos secaram. A mente estressada cansou o corpo. O sol ardia como num inferno dantesco. A passos largamente pesados, enfrentava a força do ar pútrido em uma avenida movimentada. Desta maneira prosseguia o novo andarilho de vasta idade.
O antigo viajante pôs os pés no chão. Tristemente feliz, ele acordou.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:06 PM.
Relógio tradicional
Tic-tac. Um sutil sentimento invadiu seu coração, agora mais calmo. Sentiu a vida mais leve, mais amena, desta vez, pura e simples. E, como nunca tivera feito antes, parou para pensar...
Lembrou-se então da bomba-relógio que todos carregam fincada dentro do peito. Respirou fundo. Era preciso força e coragem para encarar a dura realidade na qual se encontrava. Percebeu que, diferente daquilo que costumeiramente sentia, arrependeu-se de muitas coisas. Coisas as quais não fez.
Aconteceu com seu pai, com seu avô e, agora, com ele. Naquele exato instante lembrava da frase do pai: " Não tenha pressa meu filho, pois ela te rouba o tempo". Somente ali, sentado naquela poltrona, ele veio entender aquelas palavras.
Tinha 40 anos. Um filho e uma filha. Era divorciado. Médico especializado em cardiologia. Enxergou que nada viveu enquanto lutava para ser alguém.
O relógio da vida bateu.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 12:34 PM.
Um conto de quem conta
Em um conto da vida,
Encontro um canto para me achar.
Em cantos da vida,
Conto contos para me revelar.
Para então,
Dar asas a imaginação
E voar longe da realidade cruel.
Para trazer a verdade fiel,
Ao povo sofredor
Que sofre por não saber o que é dor.
E como as palavras não envelhecem,
Aqui deixo o desejo que procede:
Contem este conto sobre cantos,
Para que, neste canto,
Muitos se encontrem,
Abram as asas e voem para a liberdade
A contar este canto sobre contos de quem conta.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 5:51 PM.
Tijolos de jujubas verdes e amarelas.
E os dias passaram muito devagar enquanto eu estava trancado na minha toca. O tédio consumindo cada célula do meu corpo, principalmente das minhas pernas. Foi quando decidi caminhar um pouco.
E caminhei, e caminhei, e caminhei.
Sentado numa pedra estava este cidadão chamado Pedro Gurgel, amigo de longa data. Os amigos sabem quando algo está errado. Então indaguei:
- Pedro, o que houve? Essa cara não combina contigo.
- Não sei nem como explicar. Vou tentar ser o mais direto possível: minha casa caiu.
- Caiu?
- É, caiu! Acho que estava muito velha, as rachaduras eram claras, evidentes.
- Entendo. Bem, acho que não vai adiantar muito sentar aí e não fazer nada sobre isto.
- E o que vamos fazer?
- Construir uma nova casa! Eu fiquei bom nisso, construí a minha com as minhas próprias mãos. Você, amigo, não sabe ainda como construir a sua. Mas com um pouco do conhecimento que adquiri, posso te ensinar.
A casa é uma representação das mudanças passadas por este cara que não era magnífico, mas soube encontrar o seu caminho nessa vida.
Só resta construí-lo com suas próprias mãos.
Atualizado por Mário Oliveira, dono da Toca.
Atualizado por Pedro Gurgel, às 7:26 PM.